O debate de ontem (Record/Fieto) desmonstrou, de forma inequívoca, a fragilidade dos candidatos ao governo. E isto, por inércia, favoreceu Wanderlei Barbosa, ainda que tivesse nítido seu despreparo para o enfrentamento.
Ou não teve um média-training (que seus adversários pareciam ter feito) ou não aplicou o treino. O descontrole do cronômetro o prejudicou mais do que aos adversários que souberam bem aproveitar os descuidos do Governador.
Impulsionados por perguntas confusas, os candidatos deitaram e rolaram sobre números que qualquer leitura superficial da execução orçamentária os encaixaria facilmente em fake-news dada sua mais absoluta inexatidão com os números oficiais (governo/STN/IBGE).
Para encurralar Wanderlei, o senador Irajá, Mourão e Dimas esgrimiram dados absolutamente errados e ainda comparando Tocantins com Goiás, receita corrente líquida com PIB e renúncias fiscais, um angu de caroço que não tem correspondência com qualquer equação matemática, econômica, fiscal ou estatística.
E Wanderlei não soube (ou não foi orientado) com números para refutá-los. Números públicos que também seus adversários poderiam fazer uso. Preferiram o chutômetro ou dados desatualizados, apontando um método que poderia repetir-se numa eventual eleição.
Irajá comparou as renúncias fiscais com o PIB e Goiás (população de 7,2 milhões) com o Tocantins (1,6 milhão de habitantes). Na tese, o PIB dos goianos seria maior por ter mais renúncias. Goiás tem um PIB de R$ 208 bilhões e o Tocantins R$ 39 bilhões.
Meu Deus!!! Goiás tem um PIB per capita de R$ 29 mil anuais e o Tocantins de R$ 25 mil!!!! Só que no Tocantins um milhão de pessoas declaram renda média mensal de até meio mínimo. Concentração de renda.
A relação de isenção fiscal não guarda qualquer relação com PIB!!!! E sim com a receita bruta de ICMS. O senador (ou sua assessoria) confundiu as bolas!! Em Goiás (relatório da STN/2021) o governo tem renúncias de 31,4% das receitas de ICMS.
Três vezes mais do que os 9,4% do Tocantins. No entanto o PIB per capita de ambos é quase o mesmo. De outro modo: proporcionalmente o Tocantins renuncia menos e tem quase igual PIB per capita que Goiás.
Aliás, Goiás está na Letra C da STN (sem condições de tomar emprestado). Letra B (endividamento), C (poupança corrente) e C (liquidez). As obrigações financeiras representam 248,7% das disponibilidades de caixa. Um Estado inadimplente, quase insolvente.
No Tocantins, as obrigações financeiras só comprometem 55,33% das disponibilidades de caixa. Dai, ontem, a STN elevar a nota do Estado à Letra B. Os assessores de Wanderlei ontem nos bastidores sequer sabiam o que era Capag. Sem dimensão da informação e do que isto representaria, levando insegurança ao debatedor governamental. Imagina, uma conquista de quase dez anos.
Situação que os candidatos (e suas assessorias) não tinham conhecimento e até duvidaram do documento da Secretaria do Tesouro Nacional no debate de ontem. E não refutados por Wanderlei Barbosa.
Trazer Goiás como régua de comparação com o Tocantins parece saudosismo de goiano. Ronaldo Caiado tem uma bomba nas mãos. O governo de Goiás deve 40,18% de toda receita corrente líquida. Já o Tocantins, apenas 5,63% da RCL. Isto na relação DCL/RCL. (dívida corrente líquida/receita corrente líquida).
Goiás teve em 2021 um crescimento negativo de receitas de arrecadação própria de 7,7%, o Tocantins positivo de 6,8%. Na variação de recursos próprios, Goiás teve um índice negativo de 2,2% e o Tocantins positivo de 10,9%. São dados públicos.
Os absurdos dos números e comparações foram tantos que é impossível enumerá-los. Por exemplo: atacaram o governo por gastar muito com pessoal. O governo fechou o primeiro quadrimestre de 2022 gastando 39,14% da RCL com salários (o máximo é 49%).
Diferente do governo do MDB (que o antecedeu) – e que compõe a chapa de Ronaldo Dimas com a vice – que entregou o governo gastando 58,22% das receitas com o funcionalismo.
E mais de R$ 2 bilhões de dívidas nas prateleiras, sem contabilizar e que o governo Mauro Carlesse teve que incluir no passivo por determinação do Tribunal de Contas elevando a dívida pública. Ou não foi o governo do MDB que tentou parcelar salários e 13º!!!
E negociou dívidas do governo com o Igeprev e não pagou!!! Ou que a cada a exercício pagava salários de ofício (sem orçamento, ou seja, gastava mais do que o previsto na LOA) nos dois últimos meses do ano!!! Crime de responsabilidade contínuo.
A situação se repetiu nas críticas à aplicação na Saúde. Apesar do governo ter investido no setor no primeiro quadrimestre 15,13% das receitas, acima do limite constitucional de 12%(R$ 110 milhões a mais), mesmo que os problemas ainda não solucionados.
Tudo isto aí, conhecido de todos, ficou no ar, sem resposta. O governo tem equívocos, claro, mas em dez meses Wanderlei acertou mais do que errou. E avançou no ajuste fiscal que todos os candidatos e governadores anteriores prometeram e não cumpriram. E isto não é uma questão de opinião, mas de fato.


