Crise aberta no palanque palaciano. Depois de perder oficialmente PV, PT e PCdoB (que já não os tinha pela Federação) e não atrair Cinthia Ribeiro, o grupo palaciano perdeu dois apoiadores de peso: o deputado federal (e pastor) Eli Borges e a presidente da Câmara de Vereadores da Capital, Janad Valcari.
E sem o não menos puxador de votos ex-prefeito de Arraias, Wagner Gentil, aliado histórico da senadora Kátia Abreu. Perdeu ainda o ex-prefeito de Porto, Joaquim Maia, que havia derrotado Otoniel Andrade (ex-secretário de Wanderlei) em 2016. Maia, que estava no PV, migrou para o PL, seguindo Eli Borges, Janad e Gentil.
A situação aparenta maior gravidade porque, apesar das perdas do Palácio, não se viu informação de um político com musculatura suficiente para compensá-las que tenha subido no palanque de Wanderlei e Kátia.
Pelo contrário, pularam do quintal dos dois para o terreiro de seu adversário no grupo de eleitores que divide com o bolsonarismo: Ronaldo Dimas . E o prazo da janela (mudança de partido) e da filiaçao partidária terminou no sábado.
A mudança de ônibus de Eli Borges e Janad Valcari para boeing de Ronaldo Dimas/Eduardo Gomes que tem se materializado taxiando na pista, assume um simbolismo muito particular.
Eli foi jogado na campanha de prefeito de Palmas por Wanderlei Barbosa sem o aval de Mauro Carlesse. Wanderlei quis montar chapa cheia: Eli prefeito e o empresário Joseph Madeira como vice. Ainda que às voltas com processos judiciais por licitações heterodoxas.
Como aquela de contratar com Legislativo garçons com salário de R$ 10 mil reais quando no mercado um profissional não saía por mais de R$ 3 mil. Licitação que o TCE mandou cancelar e que a então presidente da Assembléia Legislativa, Luana Ribeiro, deu a volta. Não cancelou a licitação, apenas reduziu, após negociações que divulgou, o valor cobrado pelo empresário.
Empossado no cargo, Wanderlei anunciou o empresário como o homem forte de seu governo, orientando secretários remanescentes da administração de Mauro Carlesse a procurá-lo como de fato se deu em um de seus escritórios no centro do Plano Diretor.
O empresário não segurou o tranco da exposição pública de suas peripécias e renunciou ao cargo. Dias atrás Wanderlei postou foto em seu escritório particular. Já Eli Borges desde o ano passado declara-se decepcionado com a encrenca em que se meteu. É um homem sério ainda que de idéias conservadoras em que nas democracias não se constituem crime. Pelo contrário, as certificam.
Janad, por seu turno, foi eleita presidente da Câmara Municipal de Palmas (onde na prática tem o poder dimensional ilusório mas regimental e constitucional de amarrar a prefeita) com o impulso indiscutível de Wanderlei que, além de apoiá-la e perdir-lhe votos, interferiu nos projetos do próprio irmão, vereador Marilon Barbosa, que tinha direito (e condições políticas) de se reeleger no comando do Legislativo metropolitano.
Os tributários do governo podem, por estratégia, negar o buraco. Mas a razão indica que perdendo candidatos com votos para grupo políticos adversários é um perda dupla: não só fica se os votos (tempo eleitoral, fundo eleitoral, fundo partidário) dos seus partido, como os entrega aos adversários.
O problema para Wanderlei é descobrir o que gerou essa sangria já que suas ações à frente do Palácio tem como moto-contínuo o atendimento incontinenti a vereadores, deputados, prefeitos, servidores públicos e empresários. Em detrimento, não raro, do equilíbrio fiscal do Excutivo.
Sem falar nos deslocamentos fora do Palácio. Ao que se considera no jargão popular de “arroz de festa”, o governador não tem dado bola. E está certo se a isto considera a melhor forma de saber o que a população necessita. Ainda que se tenha que numa pelada de futebol ou numa arquibancada de Estádio a preocupação do eleitor fosse outra.


