Sexta-feira, 23 de Out de 2026

De costas para a população, deputados aprovam projeto do governo federal que aumenta conta de luz e dá fundo nas agressões ambientais no Estado

21/05/2021 586 visualizações

A exemplo da votação da liberação de licenciamento ambiental a produtores rurais, concessionárias de água e energia e assemelhados, os deputados federais do Tocantins também votaram em massa na MP da privatização da Eletrobras.

Dois oito parlamentares, apenas o petista Célio Moura disse não ao projeto do governo federal que pode elevar a conta de luz em até 14%. E dar o golpe fatal no meio ambiente com a determinação da obrigação de compra de R$ 20 bilhões de energia gerada por pequenas usinas hidrelétricas (PCHs), duas dezenas delas em pequenos rios do Tocantins. E a cobertura do prejuízo de R$ 9 bilhões contabilizado pela Eletrobras que será dividido com o consumidor cativo, aquele residencial.

Ou seja, o consumidor do Estado, apesar de ter no seu beiço quatro grandes UHEs (energia mais barata) – construídas com a renúncia do rio Tocantins - será obrigado a comprar das PCHs (energia mais cara). Empreendimentos (cujas concessões foram prorrogadas pelo mesmo projeto por mais 30 anos) já são remuneradas pelo governo federal (contribuinte) para ficarem à disposição, para gerar energia (e vender) só quando necessário.

Mesmo já exportando mais de 1,2 mW de energia para outros Estados, há ainda a projeção de construção de mais 16 UHEs, dentre elas, uma no rio Araguaia (Santa Isabel) e outro no rio Sono (Jalapão).

O Estado, assim, que já tem uma capacidade de geração de 2.471,5 mW de energia limpa (só em Isamu Ikeda, Peixe/Angical, Luis Eduardo e Estreito) terá que adquirir energia das PCHS que destroem os pequenos rios e produzem energia suja pois movidas a óleo.

Para se ter uma idéia, em apenas 150 km o rio Palmeiras (no Sudeste do Tocantins) abriga dez PCHS. Há ainda mais 15 PCHs em estudo e três em construção no Estado. Mais três das quais projetadas para o mesmo rio Palmeiras que nasce na Serra Geral, com implicações diretas na Estação Ecológica da Serra Geral e o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, que emolduram a entrada do Jalapão.

O dispositivo jabuti promovido pelo governo federal e deputados, como é óbvio, impulsiona a construção de mais PCHs e eleva o risco dos pequenos rios e nascentes. Da mesma forma que vai encarecer a conta de energia.

E, claro, movimentar o mercado de concessões patrocinado entre o Palácio do Planalto e congressistas que as repassam a grandes empresarios do setor, repartindo dividendos da xepa e somando mais custos ao consumidor e contribuinte.

Tudo isto aí, no escuro das sessões noturnas, quando a população se encontra tomada pelas causas e efeitos das 470 mil mortes do Covid-19 (e da CPI da Pandemia) e  sem discussão nas comissões ou com a participação da sociedade.

Projeto encaminhado direto para o plenário e aprovado como um raio. Não se sabe por que interesse, dado que à população, como é notório, não favoreceria em nada. Pior, elevaria o seu custo.

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