Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Dar nome de Siqueira à avenida Teotônio Segurado ou JK é desprezar a vontade do ex-governador. Não creio que Siqueira assim as nomearia e ser alterado para seu nome numa eventual morte!! porque negaria sua própria narrativa histórica!

06/07/2023 584 visualizações

Discussões impressionam no post-mortem de Siqueira Campos.

A decisão de se desengavetar projeto de lei ainda da administração Raul Filho para dar à Avenida Teotônio Segurado o nome do ex-governador é uma delas.

Siqueira, como é público, escolheu a dedo os nomes JK e Teotônio Segurado para as duas principais vias transversais da cidade. As demais avenidas e ruas tem apenas referências numéricas. Não há ruas com nomes em Palmas a não ser a JK e a Teotônio.

Não foi uma escolha aleatória!!! Assim, do nada!! Sem ir para o nada!! Havia um fundamento, Siqueira até na intuição buscava princípios que pudessem ser necessários num eventual questionamento. Um link com a história brasileira e seus personagens políticos proeminentes a que Siqueira queria ser comparado. 

 O ex-governador escolheu JK porque Siqueira achava-se um novo Juscelino, implantando uma cidade no meio do nada, como Brasília, e pregando mais desenvolvimento em menor tempo. Juscelino só veio ao Estado uma única vez, ali em Barrolândia quando ainda era construída da Belém-Brasília. Fizeram um churrasco para JK inaugurar um trecho asfaltado da BR-153 numa fazenda em Barrolândia.

E Teotônio para linkar a sua história à dele como divisores da criação do Estado.Teotônio Segurado (um funcionário público que comercializava produtos do Norte com Portugal pelo rio Tocantins) um link com o passado.

Na narrativa, Teotônio (que era contra a independêncika do Brasil mas curiosamente defenderia a independência do Tocantins)  teria tentado dividir Goiás pela libertação do Norte quanto queria, como sinalizam os historiadores,  era não dividir o rio Tocantins com os goianos no uso do rio como logística na exportação. Feito isto, pronto, fechou!! Problema de resto seria daquele que não viu o que Siqueira enxergava de longe.

O traçado de ambas revelaria, é possível deduzir,por outro lado, a relevância histórica que Siqueira quis dar às escolhas.

Muito explícita na Teotônio Segurado (que, pela história, lhe diria mais respeito), um infinito no sentido Norte-Sul e a JK limitada ao perímetro entre o lago e a serra. Ou seja: Teotônio era a argamassa histórica e JK a perfumaria do modernismo.

Daí, escolher retirar Teotônio das ruas seria dar a JK maior valor do que ao Ouvidor que Siqueira achava ter sido o artífice da primeira separação Goiás/Tocantins.

E, por outro lado, eliminar o JK para colocar Siqueira na JK emprestaria ao ex-governador um papel inferior ao de Teotônio, em função das peculiaridades dimensionais da avenida.

E desmereceria JK que Siqueira admirava por, como ele, ser destemido ao implantar uma cidade no meio do nada, Palmas, como JK fez com Brasília.

JK liga Siqueira ao modernismo e à coragem e determinação de um Brasil novo. A Teotônio o coloca na linha do tempo, não só na criação do Estado em 1.988, mas antes dela. Siqueira seria o prolongamento, a continuidade, de um Teotônio que teria dado certo.

Dito isto, os políticos deveriam encontrar uma outra forma de homenagear o ex-governador. Um memorial poderia ser o mais adequado para sua dimensão.

Um memorial poderia ser o mais adequado para sua dimensão. Intuo que um memorial Siqueira Campos na Praça dos Girassóis teria mais valia do que o memorial Coluna Prestes, que nada tem a ver com o Estadoç.

Talvez fosse essa a vontade de Siqueira dadas as suas próprias escolhas para as principais avenidas da cidade. Siqueira não colocaria Teotônio e JK no centro de uma dúvida, considerando toda narrativa que construiu.

Pelo contrário. Justamente para serem permanentes, o que obrigaria aos remanescentes a obrigação de escolher uma forma mais condizente de homenagear aquele que estaria, pela narrativa, acima dos primeiros homenageados.

O próprio Siqueira que os concedeu o panteão. Ora, se JK e Teotônio, meros coadjuvantes, ficaram com as duas principais avenidas da cidade, seu criador, Siqueira, mereceria, por certo o protagonista, exigiria coisa maior e melhor.

Ah LA, poderia ser mudar o nome da ponte FHC. Ora, Siqueira era amigo do ex-presidente tucano, era do seu partido à época da construção da UHE, da ponte e lago. Tanto que Siqueira ignorou a lei para nomear a ponte de FHC que está ainda aí vivinho da silva. Havia uma admiração mútua entre ambos apesar das divergências ideológicas. E todo mundo sabe que Siqueira não era dado a expor aliados.

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