O pré-candidato do PSC ao governo, Osires Damaso, fez circular no sábado esta foto aí com a informação de que teria convidado o empresário Edson Tabocão (PSD) para vice-governador e o ex-senador Ataídes Oliveira para candidatar-se a Senado na sua chapa.
A informação é comprada e revendida pelos portais como a coisa mais natural do mundo. Inclusive que Tabocão ficara de dar a resposta antes da convenção do PSC na sexta-feira, mesma data da convenção do PSD, partido de Tabocão cujo comando de mão de ferro é do senador Irajá Abreu.
Em tese, é dado concluir pela movimentação, que Damaso não entenderia necessário para oferecer um cargo (vaga) de vice-governador (cargo majoritário) a candidato ter que consultar o presidente do seu partido, sem o qual (partido) o candidato não pode disputar a eleição.
Ou que Irajá não observasse relevância nas suas prerrogativas e competências como dirigente partidario e no primeiro cargo na linha de sucessão no governo do Estado. Deixando o seu anúncio para as partes interessadas.
Isto posto, haveria desinteresse de Irajá a tal ponto que não se manifestasse pela aprovação, reprovação ou mesmo conhecimento do assunto que depende, diretamente, de sua vontade política como dirigente maior do partido.
Diferente de quando levou o PSD para o grupo de Damaso, segundo consta sem consultar a mãe, senadora Kátia Abrreu, que até então tinha Wanderlei Barbosa como seu candidato majoritário, quando o Senador surpreendeu o meio político pelo determinismo que consagrou com a conflagração familiar inesperada. Consequências, como é lógico, só vem depois.
Situação que atrairia, por si só, ao próprio parlamentar, a prerrogativa (e competência tanto política quanto partidária) para a exposição de movimento tão relevante nesta altura do calendário eleitoral. Termina na sexta o prazo para convenções partidárias de escolha de candidatos.
O registro (que você vê ai em cima) – onde há um personagem eminente incluído fora, o mesmo senador Irajá Abreu - pode traduzir, por outro lado e outro ponto de observação, uma espécie de fraude politica ou uma situação em que a dialética eleitoral não se importaria com a verdade objetiva e sim apenas em ter razão nas urnas que implicaria, por lógica, o uso de meios lícitos e ilícitos (pelos altares e pelos lares), sob a egide meramente dialética e retórica de campanha.
Como não há, já transcorridas 48 horas, qualquer posicionamento do presidente regional do PSD, senador Irajá Abreu, intui-se que o parlamentar endossasse a decisão que, tomada a informação pelo valor de face, Tabocão teria sido elevado de condicionado à condição. De filiado sem comando a, nao só porta-voz, mas definidor de decisões partidárias.
De forma que a inclusão de Irajá na foto não fosse relevante, indicando ser Tabocão o líder do PSD e não Irajá já que sem partido não há candidatura e o prazo para troca de legenda ficou lá em abril.
Só isso? Não!!! Damaso (da base de Jair Bolsonaro) teria chamado Ataídes (Pros)- partido que lançou ontem candidatura a Presidente - para disputar o Senado preterindo a senadora Kátia Abreu, mãe do senador Irajá Abreu e em meio a mesma pretensão do ex-técnico Wanderlei Luxemburgo. Sem também manifestação do ex-prefeito de Palmas, Carlos Amastha, que preside o PSB;
Ou seja, no último minuto da prorrogaçao, Osires Damaso decidira-se por decidir sozinho!
O silêncio de Irajá e Amastha (adicionado às circunstâncias) dá à movimentação de Damaso, com efeito, é possível inferir, mais características de um ardil que de racha no grupo. Uma encenação com finalidades bem definidas e conversadas, sem busca da verdade objetiva e sim apenas da platéia. Políticos não brigam calados em campanha eleitoral.
De tudo, arrisco o inverso: o grupo Damaso/Irajá/Amastha prepara desembarque na campanha de Ronaldo Dimas/Eduardo Gomes. Um chapão para disputar com Wanderlei Barbosa no segundo turno. No que seria o reverso do reverso.
Neste embaralho de cartas, Kátia Abreu disputaria a reeleição, Osires iria de vice, Wanderlei Luxemburgo seria deslocado para deputado federal, ajudando na legenda para eleger Carlos Amastha na Camara dos Deputados, assim como Ataídes disputaria a Câmara junto com Tabocão porque a suplência de Kátia Abreu já está destinada a um advogado ligado ao senador Flávio Bolsonaro.
Confirmada a estratégia, no Estado a eleição ficaria entre dois grupos bolsonaristas onde, politicamente (e pela geografia e demografia do voto) o grupo Irajá/Dimas/Eduardo Gomes/Amastha/Kátia seria aparentemente majoritário.
Só que no meio disto tudo tem uma pedra: o PT de Lula. E o eleitor partidário que pode sentir-se traído Como lecionam os marketeiros com boa dose de razão: em campanhas eleitorais, vence quem erra menos.


