Há muito não se via um presidente da República confessar sua miopia política e administrativa. Vai entrar na história a declaração de Jair Bolsonaro pronunciada ontem de que é daltônico e que, para ele, todos teriam a mesma cor.

Da mesma forma que branco não é preto, deve o presidente explicações dos motivos do país, com maioria negra, ter nos empregos uma minoria branca. E que a violência, em larga medida, só atinja os negros, tanto por sua classe social quanto natureza racial. Em que oito de cada dez pessoas vítimas de mortes violentas no Brasil são negras.

De no Brasil, apesar de os negros serem em maior número, as riquezas estivessem concentradas numa minoria branca. Em que os negros fossem contemplados na sua maioria populacional, apenas com a maioria da pobreza ou de mortes, seja pela violência ou pela ineficência do sistema público de saúde, uma outra violência.

A declaração reducionista (e racista por extensão) é tão idiota quando o pensamento que carrega. Desde a Lei Áurea, há 132 anos, a burguesia e elite branca do país se sustenta na tese bolsonariana de fechar os olhos (que ele trata como daltonismo).

E os negros continuam, em sua maioria, sem estudo decente, sem oportunidades, em larga escala na extrema pobreza, sendo exterminados diariamente, seja pelo racismo indecente, reacionário e primitivo ou pela ineficiência da política que presidentes, como Bolsonaro, defendem.

E o pior é que, tudo indica, Bolsonaro acredita mesmo no que está falando: que o presidente deve colocar de lado as diferenças sociais e os crimes de racismo diariamente praticado no Brasil que terminam dando aos negros a natureza de párias em sua própria pátria onde a Constituição determina sejam iguais perante a lei.

 

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Ponto Cartesiano

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