Sábado, 24 de Out de 2026

Cultura finalmente com Tião Pinheiro

03/03/2023 652 visualizações

A escolha do jornalista/compositor/escritor José Sebastião Pinheiro para a Secretaria de Cultura é uma decisão acertada do governador Wanderlei Barbosa. Não é a primeira vez que Tião é sondado por governadores para Cultura ou Comunicação desde que mudou-se para o Estado .

Em função do seu trabalho no setor cultural de Goiás quando repórter de O Popular e por seu trabalho à frente do Jornal do Tocantins, do Grupo Jaime Câmara. A todas refugou porque falou mais alto a relação quase familiar com o Grupo Jaime Câmara. Desfeito o vínculo trabalhista, mesmo mantendo os afetos, decidiu há dois anos abrir os horizontes no seu outono.

Tião é do ramo e conhece bem o Estado e suas manifestações culturais antes de sua criação. E foi testemunha de sua ocupação nas últimas três décadas e meia. Não é alguém que caiu de para-quedas ou escolheu o Estado porque não tivesse outra opção ou outros interesses. É uma relação afetiva de mais de mais de cinquenta anos. Uma relação fincada no verdor de sua adolescência, enraizada na sua meninice.

Estudou em Porto Nacional na década de 60/70 quando entrou para o seminário São José da igreja católica oficialmente destinado a ser padre, mas intuo que era apenas uma estratégia para ter um melhor estudo/formação com os dominicanos. Ali bebeu da fonte de padre Jacinto Sardinha e Antônio Luiz Maia. O pai era músico e a mãe uma guerreira.Literalmente, feijão e sonho. Uma literalidade, quase uma antinomia, que originou da mistura o jornalista e poeta Tião Pinheiro, agora Secretário de Cultura (Diário Oficial de ontem).

Tem o apoio de segmentos importantes do setor cultural onde transita: literatura (já tive a honra de prefaciar cinco livros de poesia do escritor Tião Pinheiro nas últimas quatro décadas) e música (tem CDs gravados e parcerias com grandes nomes do Tocantins, Goiás, Rio de Janeiro e Argentina).

Mas recebe também o desafio de controlar as igrejinhas e corporações (especialmente no que tange os editais Paulo Gustavo, Aldir Blanc e Lei Rouanet) que se formaram no segmento cultural tocantinense que, regra geral, tomam a parte pelo todo e vêem a Secretaria (recriada a partir de desmembramento antecipado aqui pelo blog) instrumento apenas de seus projetos e não de toda a população do Estado.

Não demora, e os artistas tratarão Tião de "nosso secretário" quando o titular da Cultura (e de qualquer secretaria) deve explicações à população como um todo. Residiria aí uma das diferenças entre o produtor cultural e o secretário, interesses pessoais e de Estado, uma escolha política, ainda que fundada em avaliações técnicas.

Que o diga o adiamento do desmembramento pelo próprio governador Wanderlei Barbosa ( que estava previsto para o início de fevereiro) e que os auxiliares do governador atribuem ao emparedamento injustificado e infundado que não por ação política, que parte do setor cultural fez ao então secretário de Turismo e Cultura, Hercy Filho, nos editais ainda em elaboração não só no Estado, mas no país.

Aliás, não é só na cultura que essa distorção campeia no Brasil: médicos querem Ministério da Saúde, jornalistas, da Comunicação, empresários da Indústria e Comércio, agropecuaristas, da Agricultura e por aí vai. Como se diz no teatro: "merda (boa sorte) para Tião"  porque competência e discernimento ele tem.

Tião, claro, vai ter que rebolar também de outra forma: a Cultura, no governo federal, é comandada por uma artista petista, a cantora Margareth Menezes e o governador Wanderlei Barbosa é do Republicanos, da base bolsonarista. Terá que pedir ajuda dos oito deputados federais do Estado (todos da base bolsonarista, assim como os senadores).

Trabalho que será menos difícil (dado o seu circulo de relacionamento com todos os parlamentares) que controlar os setores que aspiram monopolizar a cultura no Estado. Quando as manifestações culturais são patrimônio inato de um povo e como tal devem ser vistas pelo Estado.

Compartilhar

Deixe seu comentário

Mais em Ponto Cartesiano