Com a canoa de Dorinha vazando e aparentando ninguém no “jacumã”, Wanderlei Barbosa “farmou aura”: decidiu acusar o deputado federal Eli Borges de traição.
Fez de prumo os R$ 2,9 milhões investidos pela direção nacional do Republicanos (Marcos Pereira, advogado de Wanderlei no STF) na candidatura do pastor.
A narrativa do governador não lhe é favorável na aritmética nem na base argumentativa.
Wanderlei apoiou uma coligação (para governador) mas não a fez para senador. E o fundo eleitoral (de onde saiu a grana) não pode ser entregue a candidato de partido não coligado.
Ou seja, não poderia mandar dinheiro para Carlos Gaguim, do União Brasil.
Primeiro equívoco: como você apóia um candidato majoritário em que não pode atuar por completo. Apenas proporcionalmente.
E em circunstâncias tais onde das duas vagas disponíveis, uma já estivesse determinada à reeleição de Eduardo Gomes, do PL, cujo candidato a presidente pode lograr-se vencedor.
O Republicanos teve apenas um candidato no Senado: Eli. Mas Wanderlei (como é fato) o subestimou nos palanques e nas urnas.
Eli, na estratégia pensada, seria cabo eleitoral de Carlos Gaguim na divisão de votos de todos do grupo. Um candidato parido para perder.
Deus, Raimundo e todo mundo sabem que Wanderlei mobilizou o governo e prefeitos por Carlos Gaguim (UB).
Ademais, é público que R$ 1,7 milhões (56%) – do apontado por Wanderlei - só foram depositados para Eli nas duas últimas semanas de campanha.
Os recursos estavam com a direção nacional do Republicanos desde 1º de junho, quatro meses antes.
A direção regional do Republicanos (esta sim comandada por Wanderlei) só mandou dinheiro para Eli a um dia das eleições (3 de outubro) na forma de transferência eletrônica de R$ 200 mil.
De fato, partidos nacionais priorizaram eleições de senadores. Tem o impeachment de ministros no STF, anistia a Jair Bolsonaro, reforma na Constituição que necessitam quórum qualificado.
Mas no Estado, o Republicanos só percebeu a estratégia errática de não apoiar seu próprio candidato a quinze dias das eleições.
Marcos Pereira fora mal informado por Wanderlei. Apostou na escolha de Eduardo Gomes e Dorinha, realçada pelo governador só após Dorinha aceitar Atos Gomes como vice às véspera das convenções.
Uma estratégia elaborada lá no afastamento de Wanderlei como garantia de apoio ao seu retorno pelo STF e que Dorinha tinha aceito, mas desde que o nome tivesse o seu escrutínio.
Para comparação: o deputado federal eleito Fábio Vaz, do Republicanos (com o apoio declarado de Wanderlei) recebeu até 4 de setembro (um mês antes das eleições) 90% dos R$ 1,6 milhões que teve do partido para toda campanha. Eli, no mesmo período, apenas 50%.
A discricionariedade com Fábio foi pressentida pelo Márcio Barbosa, fiel escudeiro de Wanderlei, que trocou o Republicanos pelo UB já em agosto, dentro do prazo permitido a militares. Ficou suplente.
Eli continuou porque não poderia mais voltar ao PL fora da janela partidária a que foi empurrado pelo próprio Wanderlei.
Wanderlei, portanto, fez ontem nas redes sociais um vídeo para engajados. Como muitos estariam se dispersando por iguais motivos.


