Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Criação coletiva direto das veias abertas do ex-Norte, Estado assiste inerte à certificação popular e política de uma narrativa alternativa de seu curso hístórico que será cobrada pela própria História e gerações futuras

10/07/2023 1147 visualizações

Para reavivar o sangue (e a memória). Nas décadas de 60, 70 e 80, os estudantes nortenses que se deslocavam a Brasília, Goiânia, São Paulo ou Belém para seguir os estudos universitários (Porto Nacional tinha uma educação secundária/ginasial considerada dentre as melhores do país) alimentavam e retroalimentavam nas faculdades e nas ruas daquelas cidades o sonho de criação do Estado do Tocantins com reuniões e movimentos.

Um deles liderado pela Conorte (Comissão de Estudos dos Problemas do Norte). A Conorte é autora de uma das emendas de criação do Estado junto com a Associação dos Municípios do Extremo Norte, Associação dos Municípios do Nordeste e Associação dos Municípios do Vale do Araguaia-Tocantins.

E que foi fundida a Proposta de Emendas das 72.958 assinaturas entregues pelo Comitê Pro-Criação do Estado do Tocantins, deliberando pela PE-26/87 acatada pelo relator da Constituinte, Bernardo Cabral.

Siqueira apenas fundiu as duas emendas que era um decisão tanto das entidades como da Constituinte por questões meramente regimentais e operacionais no Congresso Nacional. Processo legislativo.

E que necessitava de um parlamentar. Sem demérito ou reducionismo ao trabalho de guerreiro que Siqueira desempenhou na criação/ implantação do Estado e criação de Palmas.

A região Norte tinha dois constituintes: Siqueira Campos e José Freire. Eles subscreveram também o abaixo assinado. Esse abaixo assinado eliminava a exigência de um plebiscito e da obrigatoriedade de fixação de prazo para "nomeação" do governador do novo Estado, como previa o artigo 44 do ainda Projeto de Constituição.

Na Constituite, entretanto, deliberou-se por eleição para um mandato de dois anos para fazer coincidir com as eleições normais nos demais Estados do país. Daí o primeiro governo de apenas dois anos;

Até aí, a criação do Estado seria resultado de uma ação coletiva que setores da política representativa ( dos historiadores, dos movimentos culturais cooptados servilmente pelo siqueirismo), anos mais tarde,iriam alterar sem pestanejar, alheios ao escrutínio da própria história sobre a narrativa alienígena do verdadeiro processo histórico.

Se alguém tem dúvida, basta ir no Volume 258 (108 páginas), do Sumário da Contituinte, assinado pelo relator Bernardo Cabral. As emendas de criação do Tocantins estão lá na Página 26.

Mas entende-se: dá um trabalho danado pesquisar, ler e entender os fatos passados para compreender os fatos presentes. E, mais grave ainda: projetá-los para o futuro das novas gerações.

É mais fácil e cômodo aceitar e levar adiante as narrativas tangentes - até por interesses pessoais - do que enfrentar o campo periférico da história que, não raro, nega a narrativa dos políticos detentores de poder circunstancial.

E que se note: fundidas as emendas, o então deputado federal Siqueira Campos teria dito aos representantes das entidades, no seu gabinete na Câmara dos Deputados, que sua missão estava cumprida (a fusão) e que, a partir dali, era com as entidades e seus líderes.

As lideranças deixaram o gabinete (como dizem até hoje remanescentes daquele grupo naquele dia) às gargalhadas. Um deles (membro da Conorte) teria sentado no carpete da Câmara dos Deputados de tanto rir pela crença aparente de Siqueira de que fossem "uns garotos", inocentes puros e bestas e sem noção de política.

Siqueira estava, como se nota, apenas iniciando sua "missão". Os anos diriam que os "garotos" não estavam desprovidos de cognição política. E o ex-governador é, hoje, laureado não só por ter implantado "sozinho" o Estado. Mas "criado sozinho" o próprio Estado. Ou: o próprio Estado materializado numa pessoa.

A ponto de intelectuais, jornalistas e artistas não ruborizarem a face para, não sem muito choro por um mecenas que teriam perdido, nas suas últimas exequias, denominá-lo,não só adjetiva, mas substantivamente,como o Senhor Tocantins, confundindo criador e criatura quando o objeto criado antecede e transcente o criador como a história real é farta em registros.

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