Sexta-feira, 23 de Out de 2026

CPI que Geo quer no Igeprev pode sequer subir no telhado. Processos judiciais sobre o fundo em tramitação e condenações já determinadas deslocam o pedido para a raia miúda de campanha eleitoral

28/03/2023 922 visualizações

O deputado Junior Geo acusou o golpe hoje: disse na Assembléia Legislativa que uma eventual CPI do Igeprev não impediria a Reforma da Previdência em discussão no Legislativo e Executivo. Com implicações diretas no Igeprev.

Lendo no sentido inverso: o deputado do PSC já observaria (e por isto se anteciparia) no parlamento resistência velada à CPI do Igeprev que ele requer seja implantada justamente quando se discute a Reforma na Previdência dos servidores. Ou seja, no Igeprev.

Como não seria comprometida uma investigação nos fundos do Igeprev quando se define novas regras para a formação dos fundos do Igeprev é uma problemática que não encontraria métrica solucionática. Seja na política ou no imperativo da razão.

E o deputado Junior Geo tem perfeitamente noção do abismo. Sabe que a terra não é plana ou quadrada. De igual modo tem absoluto entendimento de que uma discussão leva à outra. E as duas ao caos e ao nada que não palanque. E que ambas formam conteúdo eleitoral. A última (investigação) sobrepõe-se, do ponto de vista político, à primeira (reforma). E CPI são expedientes políticos.

Não há discussão de aperfeiçoamento de fundos, quando fundos estão sendo investigados. No caso concreto, a CPI atual já teve dois apoios: Geo e a deputada Janad Valcari. Ambos na corrida sucessória de Palmas. Precisa de mais seis assinaturas para formar os oito (1/3 dos deputados) necessários à aprovação do requerimento.

Outro fator contrário é que o Legislativo já implantou em 2014 uma CPI no Igeprev que deu em nada. A investigação subiu para o MPE/MPF e JF. Gestores já foram condenados a devolver grana ao fundo.

Ou seja, uma nova CPI, agora, teria que ir atrás dos documentos nos processos judiciais em andamento. Para depois montar um novo processo (a partir de suas investigações) e remeter pra onde? Para a Justiça, que é responsável pela investigação judicial (que é o que importa)  onde iriam, agora, buscar as informações. Retrabalho e novo custo financeiro aos cofres públicos.

Isto porque não há nada de novo. Digo: há sim. O atual governo não tem atrasado as contribuições patronais e dos servidores. E as aplicações do Igeprev, de lá para cá, foram transferidas para o Banco do Brasil e a Caixa.

Só ficaram irregulares aqueles investimentos que já eram investigados e cujos contratos tem prazo. Só aí se terá inadimplência ou não.

Ainda que pelo capital que apresentaram na contratação, as aplicações contrariassem normas do Banco Central. E terem gerado prejuízos já contabilizados.

De outro modo: a CPI do Igeprev de Junior Geo sequer subirá no telhado, tudo indica. Mesmo que para o governo fosse producente a confusão porque embolaria os temas e o governo passaria a reforma que planeja sob a neblina de um remake de investigação parlamentar sobre o Igeprev.

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