Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Covid: sistema de saúde entra em colapso em Araguaína, diz JTo. Previsível. Tanto as causas como os efeitos da inércia do poder público com meio bilhão de reais para o vírus!!

luizarmandocosta 02/08/2020 574 visualizações

Pois é. Araguaína (informa ao JTO) entra a semana neste domingo com 100% de suas UTIs de Covid-19 ocupadas, 7.165 contaminados (28% dos 25.346 do Estado) e 97 vítimas fatais do vírus (25% das 390 mortes do Estado).

Como são apenas 48 UTIs (públicas e particulares) na cidade, há 7.117 contaminados que podem engrossar a fila dos sem UTIs. Um número de possibilidades equivalente à população de 100 municípios do Estado.

Um rosário de negligência e irresponsabilidade política, como é notório, levou a população da cidade à situação. Uma mistura de política partidária com desobrigação constitucional de saúde pública. O vírus, como é sabido, não tem partido nem ideologia.

A primeira vacina que se anuncia, tem origem na comunista Russia, antípoda da filosofia bolsoariana encampanda pelo prefeito Ronaldo Dimas e, certo modo, assimilada pelo governo Mauro Carlesse na forma burocrática como conduz as ações da pandemia.

Carlesse anunciou hospitais de campanha há três meses e meio (20 de abril). De lá até aqui recebeu para a Covid-19 (só o Executivo) o montante de R$ 556 milhões. Os municípios outros R$ 124 milhões do Ministério da Saúde. Também para a Covid. Os hospitais de campanha (conforme o próprio governo) custariam R$ 12 milhões/mês. Em Palmas, Araguaína e Gurupi. Deixou de lado quando os demais Estados os erguiam.

No intertexto, preferiu o governo entregar cestas básicas, contratar alguns leitos e recomendar isolamentos (sem coordená-los) deixando faltar testes, insumos e EPIs como denunciaram profissionais de saúde, Ministério Público e Defensoria.

Governo e municípios limitaram-se a contratar uns poucos leitos clínicos e UTIs para milhares de contaminados em expansão exponencial. Um mínimo de planejamento e cálculo determinaria que as UTIs contratadas seriam insuficiente para atender a demanda previsível.

E o que é pior: a situação de Araguaína pode vir a repicar em Palmas e Porto Nacional. Pelo método e modus operandi não se pode ter reação do governo proporcional à gravidade da situação.

Como disse dias atrás, o governo está paralisado na Covid. Parece querer combatê-la com memorandos, cestas básicas, falácias e muito bla-bla-bla. Como recebeu mais de meio bilhão de reais só para a Covid, a inércia leva a deduções prejudiciais ao Palácio.

A pior delas: que estaria negligenciando o combate à Covid para segurar grana a ele destinada e aplicar a sobra em outros investimentos. Ou seja: o combate ao vírus não seria nada além do que uma forma de captar recursos. Já que não haveria, do ponto de vista orçamentário e fiscal, expediente legal para devolvê-la â União.

Uma conclusão que pode não espelhar a verdade, mas impulsionada pela realidade construída pelo próprio governo, resultado de ações e omissões não difíceis de serem identificadas, como o comprova o início do colapso no Estado. Araguaína é só a ponta do iceberg.

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