Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Covid-19:Porto necessita evocar seus antepassados. Leia no Jornal do Tocantins desta quarta

24/02/2021 322 visualizações

Quando entrei pela primeira vez no Abrigo João XXIII ainda não era um abrigo. Era parte de um hospital comandado pelo médico Euvaldo Tomaz ali na década de 60 em Porto Nacional. Contava-se histórias de procedimentos sem anestesia e os gritos que às vezes se ouvia levavam-me a imaginar amputações e dores na ladeira acima que ia dar na Praça da Igreja Nossa Senhora das Mercês. Fantasmas como a Cobra Boiúna ou a Mula sem cabeça.

No mais, entretanto, era lugar de aconchego. Doutor Euvaldo os tratava, os pacientes, com devoção inaudita. Pessoas sem recursos como minha mãe nas suas crises de tireóide que bagunçavam seu cérebro e perturbavam meu entendimento precoce, tinham daquele médico uma mão acolhedora como hoje o João XXIII acolhe aqueles velhinhos, uns idosos nem tanto, mas todos retirados da sociedade para que, não só metafórica, mas literalmente, a morte os retire da vida sem apropriar-se de suas dignidades e de suas histórias.

Tia Angelina assim como Doutor Euvaldo do João XXIII utilizava-se dos pequenos serviços que meu pai os dedicava em troca de qualquer coisa que alimentasse ou medicasse a família. Tia Angelina não tinha o "Tia" mas tão somente Dona Angelina com sua casa quase uma pensãozinha na Getúlio Vargas, um pouco abaixo do Bar Triunfo. Uma mulher firme no gesto, mas bondosa. (...)

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