Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Covid-19: no Tocantins há uma UTI para cada 30 mil e um respirador para outras 7 mil pessoas. E celerados fazendo passeata pelo liberou geral de Bolsonaro

luizarmandocosta 30/03/2020 897 visualizações

Jair Bolsonaro contrariou novamente o seu governo. No sábado, o Ministério da Justiça determinava o isolamento social, a Justiça Federal mandava o Palácio do Planalto suspender uma campanha contra o isolamento por falta de base científica e ontem o Presidente perambulou pelas ruas de Brasília. Uma das cidades com maior registro do Covid-19 no país e que ontem registrou a primeira morte pelo vírus.

Bolsonaro (que ainda não mostrou ao público o resultado de seus exames) ou correu o risco de ser contaminado ou de contaminar a população. Especialmente os mais pobres, por onde passou suas mãos ontem.

O Brasil fechou o domingo com 136 óbitos e 4.256 casos confirmados. Ou 22 vítimas fatais a mais do que sábado. No mundo já são 30 mil mortos e 700 mil contaminados. No Brasil (conforme a Abin) pode-se chegar a 5.571 mortes em duas semanas e 207 mil casos.

Como não há vacina, no mundo todo os países decretaram, por orientação da ciência e das autoridades de saúde pública, o isolamento social como estratégia para, pelo menos, atrasar a proliferação do vírus para não entupir os hospitais.

No Estado, há apenas 52 leitos para o Covid-19. Um leito de isolamento e um de terapia intensiva. São 223 respiradores. Ou seja, um respirador para cada grupo de 7 mil habitantes do Estado. Ou: um leito clínico especial da Covirus-19 para cada lote de 30 mil pessoas!!!!

Lógica matemática: o liberou geral de nas ruas de Brasília implica em mais pessoas nas ruas e, portanto, maiores probabilidades de contaminação. No Estado do Tocantins essa lógica vai cair aí nesse sistema de saúde. Uma insanidade imensurável.

Ainda que nos 18 hospitais públicos do Estado ontem a ocupação não atingia 100% dos leitos normais, não há outra saída. E aí, mais possibilidades de contaminação. Desta vez, daqueles que estão internados por outras causas. Algumas do grupo de risco do vírus.

A taxa de ocupação atualizada na tarde de ontem (Banco de Sistema Hospitalar Soul.MV.) indicava 1 mil e 630 leitos dos quais 793 ocupados nos 18 hospitais, em função de mutirões de atendimentos realizados pelo governo que reduziu o tempo de permanência. Mas são leitos comuns.

Só para se ter uma idéia da situação, note a ocupação dos hospitais públicos do Estado ontem: Materno Infantil Tia Dedé/Porto Nacional (96% de ocupação), Dona Regina (88%), Hospital Regional de Araguaína (62%), Hospital Infantil de Palmas (59%), Hospital Regional de Gurupi (56%) e no Hospital Geral de Palmas (55%).

No Hospital Regional de Augustinópolis (49%), Hospital Regional de Paraíso (33%), Hospital Regional de Porto Nacional (30%), Hospital Regional de Xambioá (29%), Hospital de Referência de Guaraí (25%), Hospital Regional de Miracema (24%), Hospital Regional de Pedro Afonso (19%), Hospital de Referência de Araguaçu (18%), Hospital de Pequeno Porte de Alvorada (13%), Hospital Regional de Arraias (13%), Hospital Regional de Dianópolis (13%) e Hospital e Maternidade de Arapoema (7%).

É aí que pode cair o resultado do liberou geral de Jair Bolsonaro contra orientação do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, seguida pela maioria dos países do mundo para conter o Covid-19. Impressionante.

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