As conversas entre o senador Eduardo Gomes e os pré-candidatos ao governo, Osires Damaso e Ronaldo Dimas (publicadas em primeira mão pela jornalista Roberta Tum / T1 Notícias), revelam maturidade política dos interlocutores como denuncia, em igual intensidade, avaliação, pelos dois grupos, de eventual crescimento da candidatura do governador Wanderlei Barbosa e um não implausível distanciamento do Chefe do Executivo em relação aos outros dois pré-candidatos da base bolsonarista no Estado.
O empuxo que agora impulsionaria Wanderlei não deveria causar estranheza nos seus oponentes em função dos indiscutíveis ativos que herdara de Mauro Carlesse e que bastaria o Chefe do Executivo administrar os recursos em caixa, o boom da arrecadação e das transferências federais e já teria um colchão e tanto para a campanha eleitoral. De forma que para enfrentá-lo se faria necessário aliança de líderes num mesmo projeto, que exigiria, por lógica, confronto de programas de governo.
Pode não ser tarde para a inflexão dos dois grupos, mas teriam ganhado certamente mais tivessem os dois segmentos bolsonaristas se aliado lá atrás já que os passivos da divisão do eleitorado de idêntico perfil ideológico favoreceria, por pura lógica, em maior medida, aquele com a caneta nas mãos. Diferente dos grupos de Dimas e Damaso que dependem da caneta de um terceiro (Bolsonaro) e da burocracia estatal para a liberação de recursos de emendas parlamentares.
Os dois grupos para afunilarem-se em apenas um vão defrontar-se com negociações para os cargos na disputa: Senado, Governador e Vice na chapa majoritária. E ali, até aqui, se tem dois candidatos ao governo (Dimas e Damaso) e pelo menos três potenciais candidatos ao Senado (Dorinha Seabra, Wanderlei Luxemburgo ou Kátia Abreu).


