O governo com mais um abacaxi à vista: encerra-se amanhã o contrato para fornecimento de alimentação nos hospitais do Estado. O pregão 174/2018 (resultado publicado no Diário Oficial de 31 de agosto de 2018 por um prazo de 12 meses) entregou os serviços a duas empresas: Fabrika (Oliveira & Cia Ltda) e à Mais Sabor ( M.S.Gestão em Alimentação). Duas micro. A primeira com capital de R$ 150 mil (na contratação de dois lotes totalizando R$ 16 milhões/ano) e a segunda por R$ 12,1 milhões/ano.
E qual é o busílis? O mercado de prestadores de serviço do ramo por certo já deve estar avaliando pelo menos três pontos no exato momento: 1) como teriam ficado as finanças das duas empresas; 2) como se comportará o governo (adita o contrato ou faz nova licitação) e 3) os novos preços a serem praticados.
Motivos: as mesmas duas empresas foram contratadas (antes do pregão 174) de forma emergencial (dispensa de licitação) – portaria publicada em 10 de julho de 2018 - mas assinada ainda pelo ex-secretário de Saúde, Marcus Musafir (Portaria 145, de 2 de março de 2018).
De outro modo: as empresas estariam prestando os serviços de alimentação desde março. Nas planilhas de preços do emergencial, a título de demonstração, a Fabrika cobrava R$ 16,50 por almoço e a Mais Sabor R$ 11,75.
O governo, entretanto, decidiu por aditar o contrato (aumentar o valor pago aos fornecedores) 34 dias depois: publicado no Diário Oficial de 24 de agosto de 2018, elevando os valores em R$ 2 milhões e 160 mil. Um reajuste de 15% nos contratos. A inflação anual situa-se na faixa dos 4%. Os contratos teriam sido reajustados, portanto, seis meses depois em 15%.
Mas aí veio o pregão (homologado em 31 de agosto de 2018/DO 5.189) quando as mesmas empresas (Fabrika e Mais Sabor) saíram-se vencedoras com os preços de R$ 10,50 para almoço (Fabrika) e de R$ 10,00 (Mais Sabor). Ou seja, no pregão a Fabrika disse que faria os mesmos serviços por um valor 36% menor e a Mais Sabor concordou em ganhar, pelos mesmo serviços, por 14% menos dinheiro.
A variação de preços entre o que as duas empresas recebiam no emergencial e o que reduziram no pregão não param por aí: a Fábrika cobrava pelo desjejum no emergencial R$ 7,30 e no pregão reduziu para R$ 2,00. Lanche no emergencial R$ 8,00, no pregão R$ 3,00. A Mais Sabor cobrara no emergencial pelo desjejum R$ 7,58 e no pregão baixou para R$ 6,00.
Comparando os contratos (emergencial e do pregão e considerando um prazo anual só para efeito de raciocínio já que os emergenciais eram de menor prazo) tem´se que no Lote 1 a Mais Sabor teria cobrado no emergencial o equivalente a R$ 16,7 milhões/ano. No pregão venceu por R$ 12,1 milhões. Ou, R$ 4,6 milhões de diferença.
No Lote 2, a Fabrika cobrou pelo emergencial R$ 14,2 milhões ao ano e no pregão venceu por 9,4 milhões. Uma diferença de R$ 4,8 milhões entre um e outro. No Lote 3, a Fabrika cobrou no emergencial o equivalente a R$ 15,3 milhões ao ano, reduzindo para R$ 6,6 milhões no pregão. Uma diferença de R$ 8,7 milhões ao ano.
Conclusão óbvia: ou as duas empresas superfaturaram (e o governo o aceitou) no emergencial ou os empresários decidiram rasgar dinheiro no pregão!!!!!


