O governo do Estado teve uma boa notícia ontem. E aproveitou-se dela. Tem razões para isto. O portal da Globo (G1) publicou reportagem em que informava teve sido o Tocantins a segunda unidade da federação que mais aplicou recursos na Saúde. Detalhe: acrescia o portal (não sem ter sido amplificado pela maioria dos veículos de comunicação) o lapso temporal: durante a pandemia.
E aí publicou-se uma inverdade. Os números da apontada aplicação dos recursos pelo G1 (17,86% da Receita Corrente Líquida) dizem respeito ao primeiro semestre de 2020 (balanço publicado no Diário Oficial no dia 28 de julho). De seis meses, o corona ocupou na prática três (abril/maio/junho).
A informação, ainda que positiva, embute outro ilusionismo. O índice (17,86%) do primeiro semestre de 2020 (mesmo sendo o 2º maior do país) é menor que o aplicado pelo governo do Tocantins na saúde no primeiro semestre de 2019: 17,94% (balanço publicado no dia 17 de julho de 2019). E como é notório, quando não existia pandemia.
No primeiro semestre de 2019, o governo aplicou R$ 217 milhões a mais que o limite constitucional de 12%. Já no primeiro semestre de 2020, apenas R$ 210 milhões.
De outro modo: na crise da Covid-19, o governo gastou menos do que em igual período do ano passado. No que nega a informação do G1, cujo objetivo subliminar seria demonstrar a preocupação (ou falta dela) dos governos com o vírus, em meio a críticas que tem recebido nos últimos meses. Muito embora, o percentual de aplicação na Saúde seja verdadeiro.
Aliás, o governo tem aumentado paulatinamente os recursos na Saúde. Fechou 2018 aplicando 16,54%, encerrou 2019 com 16,79%. Elevou o índice para 17,91% no primeiro quadrimestre de 2020 e caiu no sexto semestre para os divulgados 17,86%. Teve, no período, redução nos gastos de pessoal que representava 87,5% das despesas em 2018 e que caiu para 67% em 2019.


