Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Consequência antes da causa! É o que se pode depreender das denúncias de vazamento de inquéritos que só existiriam dois meses depois!

luizarmandocosta 21/11/2019 622 visualizações

Algo não está batendo nesta denúncia  atribuída após pedido de suspensão de sigilo por parte de um promotor ao Jornal do Tocantins, sugerindo que tivesse sido vazada uma investigação. O alvo, claro, é o governo. E a finalidade é confirmar os esforços do governo para deixar a corrupção correr solta como apontam os tais deltas.

Primeiro é uma excentricidade promotor público selecionar veículos de comunicação (pelo que se intui do vazamento seletivo) para prestar informação pública. Isto tem sido recorrente e eles acham normal. O veículo faz a sua parte de informar. Caiu na rede é peixe. A discricionariedade obriga é a autoridade pública a tratamento universal e não seletivo.

O que aponta, pela lógica, escolherem aquele que mais acharem conveniente, não ao público, mas a seus interesses, a partir de suas réguas próprias. Que não é a régua da administração pública que prega a universalidade. Vão dizer que o jornalista conseguiu por seus próprios meios. Mas, regra geral, quem e do meio sabe como isto se dá. Ainda que não se ignore o mérito profissional.

E segundo, pela narrativa singular: a acusação de vazamento é de uma denúncia, do ponto de vista jurídico, que até então não existiria. Arapongas estão aí diariamente grampeando pessoas.

Em muitos casos, denúncias vazias. Tem promotor, por exemplo, que abre procedimento a partir de matérias de portais e jornais. A maioria sequer vira processo investigativo.

Pela narrativa uma pessoa foi a uma  delegacia, apresentou uma queixa anônima que teria virado um inquérito dois meses depois. O "alerta" denunciado pelo promotor teria sido feito dois meses antes do inquérito!!!!

Quando se faz uma denúncia numa delegacia, o natural é o delegado intimar a parte acusada a prestar esclarecimentos. A denúncia diz-se ter sido anônima.

Os servidores públicos envolvidos podem ter praticado corrupção. Mas a Justiça é que o dirá. Agora, convenhamos, apontar vazamento de investigação quando nem inquérito havia é dez.

O promotor (ou delegado, que se note, que se sugere ter demorado com o inquérito e a delegacia tenha vazado) deve ter obtido autorização judicial para quebrar o sigilo telefônico e das mensagens dos envolvidos para expor com tanta convicção sua tese.

Se não, praticou um delito porque as conversas foram expostas na reportagem que aponta, agora, a suspensão do sigilo. Mas a quebra do sigilo das mensagens hoje amplificadas necessitaria de um autorização judicial para os arapongas entrarem no celular dos envolvidos.

Não imagino a Justiça autorizando quebra de sigilo de pessoa que nem investigada era ainda. Nem valorando conversa obtida e travada antes do inquerito. Mas sabe-se lá!

Agora, o delegado poderia muito bem, já que era uma denúncia anônima, deixar quieto. Ou não!! Na narrativa, ele demora, vaza e abre o inquérito. Surreal!!! Quando poderia simplesmente não levar adiante, afinal era uma denuncia anônima.

Uma tese que já começou furada: neste período em que os arapongas estavam xeretando o cidadão que nem investigado ainda era, que dirá acusado, (e que diz-se ter sido vazado) o promotor destaca na reportagem do JTo os documentos descartados no lixo da empresa da pessoa.

Um crime. O lixo na porta da pessoa ainda é sua propriedade, só violável por ordem judicial. Os arapongas só poderiam pegá-lo no caminhão de lixo!!!! E ainda não havia sequer inquérito policial, judicial nem me fale.  Se fosse nos EUA estariam presos, não os cidadãos, mas os arapongas.

Mas isto aí é tratado como violação de provas por parte do cidadão. E não dos arapongas.

A vaidade e a falta de livros e cognição, como se nota, é que fazem a corrupção ficar impune e prosperar. Uma narrativa dessas (de vazamento quando sequer inquérito existiria à época) não passa da primeira página por seu viés mais político que técnico.

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