Algo não está batendo nesta denúncia atribuída após pedido de suspensão de sigilo por parte de um promotor ao Jornal do Tocantins, sugerindo que tivesse sido vazada uma investigação. O alvo, claro, é o governo. E a finalidade é confirmar os esforços do governo para deixar a corrupção correr solta como apontam os tais deltas.
Primeiro é uma excentricidade promotor público selecionar veículos de comunicação (pelo que se intui do vazamento seletivo) para prestar informação pública. Isto tem sido recorrente e eles acham normal. O veículo faz a sua parte de informar. Caiu na rede é peixe. A discricionariedade obriga é a autoridade pública a tratamento universal e não seletivo.
O que aponta, pela lógica, escolherem aquele que mais acharem conveniente, não ao público, mas a seus interesses, a partir de suas réguas próprias. Que não é a régua da administração pública que prega a universalidade. Vão dizer que o jornalista conseguiu por seus próprios meios. Mas, regra geral, quem e do meio sabe como isto se dá. Ainda que não se ignore o mérito profissional.
E segundo, pela narrativa singular: a acusação de vazamento é de uma denúncia, do ponto de vista jurídico, que até então não existiria. Arapongas estão aí diariamente grampeando pessoas.
Em muitos casos, denúncias vazias. Tem promotor, por exemplo, que abre procedimento a partir de matérias de portais e jornais. A maioria sequer vira processo investigativo.
Pela narrativa uma pessoa foi a uma delegacia, apresentou uma queixa anônima que teria virado um inquérito dois meses depois. O "alerta" denunciado pelo promotor teria sido feito dois meses antes do inquérito!!!!
Quando se faz uma denúncia numa delegacia, o natural é o delegado intimar a parte acusada a prestar esclarecimentos. A denúncia diz-se ter sido anônima.
Os servidores públicos envolvidos podem ter praticado corrupção. Mas a Justiça é que o dirá. Agora, convenhamos, apontar vazamento de investigação quando nem inquérito havia é dez.
O promotor (ou delegado, que se note, que se sugere ter demorado com o inquérito e a delegacia tenha vazado) deve ter obtido autorização judicial para quebrar o sigilo telefônico e das mensagens dos envolvidos para expor com tanta convicção sua tese.
Se não, praticou um delito porque as conversas foram expostas na reportagem que aponta, agora, a suspensão do sigilo. Mas a quebra do sigilo das mensagens hoje amplificadas necessitaria de um autorização judicial para os arapongas entrarem no celular dos envolvidos.
Não imagino a Justiça autorizando quebra de sigilo de pessoa que nem investigada era ainda. Nem valorando conversa obtida e travada antes do inquerito. Mas sabe-se lá!
Agora, o delegado poderia muito bem, já que era uma denúncia anônima, deixar quieto. Ou não!! Na narrativa, ele demora, vaza e abre o inquérito. Surreal!!! Quando poderia simplesmente não levar adiante, afinal era uma denuncia anônima.
Uma tese que já começou furada: neste período em que os arapongas estavam xeretando o cidadão que nem investigado ainda era, que dirá acusado, (e que diz-se ter sido vazado) o promotor destaca na reportagem do JTo os documentos descartados no lixo da empresa da pessoa.
Um crime. O lixo na porta da pessoa ainda é sua propriedade, só violável por ordem judicial. Os arapongas só poderiam pegá-lo no caminhão de lixo!!!! E ainda não havia sequer inquérito policial, judicial nem me fale. Se fosse nos EUA estariam presos, não os cidadãos, mas os arapongas.
Mas isto aí é tratado como violação de provas por parte do cidadão. E não dos arapongas.
A vaidade e a falta de livros e cognição, como se nota, é que fazem a corrupção ficar impune e prosperar. Uma narrativa dessas (de vazamento quando sequer inquérito existiria à época) não passa da primeira página por seu viés mais político que técnico.


