O governador Wanderlei Barbosa pode ser levado a aventuras eleitorais. As circunstâncias deveriam, no entanto, brecá-lo nos instintos apesar das boas intenções.
O Conselho Diretor do Fundo Estadual de Combate à Pobreza publicou ontem Resolução (Resolução Nº 1/2026/CAGF/SEFAZ, de 12/01/2026) destinando R$ 24,448 milhões para a continuidade do programa Jovem Trabalhador.
E “declinar” dos programas “Força Mulher Tocantinense” e “Programa Estadual de Estágio e Qualificação Profissional”. Ou seja: ficaram com zero.
Obviamente que sem qualificação profissional, nenhum jovem será um trabalhador encaixado pelo mercado.
Pela lei, o fundo é para provisionar recursos financeiros às unidades orçamentárias executoras de programas sociais que compõem a Rede de Proteção Social do Estado do Tocantins.
Esse programa Jovem Trabalhador, no entanto, era administrado por uma entidade (Renapsi) e não havia sido renovado por Laurez (final de novembro).
Havia denúncia em dados de auditoria que apontavam 16 mil “beneficiados” sem registro: R$ 25,7 milhões. E criou outro com o Sesi/Senai.
O governo, agora, não só retomou o contrato anterior com a empresa como remanejou verba do fundo da pobreza para sustentá-lo.
Esse fundo fechou o ano de 2025 com um saldo de receitas de R$ 33,405 milhões. Só gastou com pobreza R$ 300 mil. Recurso paradinho na contramão da fome no Estado.
Ou seja, o uso agora do fundo da pobreza para o programa é excepcional. E indicativo de que não haveria orçamento/financeiro na área do trabalho e ação social. Significa que a Setas (esta mesma) terá mais grana este ano juntada do fundo da pobreza.
A situação leva a outra: como o fundo de pobreza tem orçamento previsto para este ano de R$ 34,2 milhões e não gastou os R$ 33,4 milhões do ano passado (como registrado no portal das transparências nesta terça), teria um saldo de R$ 67 milhões para o ano eleitoral.
Daí a decisão de repassar (com grana do fundo) meio milhão de reais às pessoas atingidas no Jardim Taquari (Palmas), sem decretação de emergência/calamidade.
Expressamente proibido em ano eleitoral. Especialmente no último ano de mandado.


