A intenção é boa mas a forma como o governo determinou a política de governança (Decreto 6395/22, 1º de fevereiro de 2022) empresta-lhe caráter retórico em maior medida do que prático.
Há um vício de origem: o conselho de governança é formado por sete órgãos e secretarias. De outro modo: aqueles que planejam, administram e pagam vão fiscalizar-se a si mesmo.
Já que a moda é chutar Mauro Carlesse, é como se o ex-secretário Claudinei Quaresemim (um dos judas do momento) fosse nomeado por decreto para coordenar a compliance do governo junto com Sandro Henrique e Bruno Barreto.
Ah, LA, mas as pessoas são diferentes!!! Caros, denúncias contra o governo me chegam diariamente. No governo interino também há denúncias, por parte de empresários, de mesma prática do governo afastado no pagamento de faturas.
Não as publico porque não sou leviano, não levo adiante denúncias anônimas nem assumidas sem documentos e, até onde conheço, Wanderlei Barbosa não tem histórico de desvio de recursos públicos.
Além disso, este blog não concorre com portais de notícias factuais. Sua função é comentar o que já foi noticiado. Ele vem depois da notícia. E não é uma trincheira de oposição ao governo.
Muito pelo contrário. Conheço o governador interino e a maioria do secretariado há muito tempo e não os vejo deliberadamente maléficos ao Estado ou com intenção de locupletarem-se dos recursos públicos.
O conselho de governança, na forma proposta, assim, concorre para que o governo se desfaça de uma boa idéia com embromation eleitoral. Um amontoado de boas intenções públicas que ignoram solenemente o outro polo da corrupção: as empresas.
Em Estados onde se aplica expediente semelhante, o foco principal é nas empresas com o estabelecimento de obrigações como Programas de Integridade obrigatórios tanto nas contratações como nos pagamentos de faturas públicas.
E o que dizer do prazo de 180 dias determinado ao Conselho de Governança para decidir sobre datas de implantação da compliance nos órgãos ! Em plena campanha eleitoral!!!


