Não se viu, até o momento, resistência de deputados federais e senadores do Estado ao decreto de Jair Bolsonaro (10.530) que determina ao Ministério da Economia estudos para privatizar as unidades básicas de saúde, do Ministério da Saúde (e prefeituras).
O decreto coloca a atenção básica de saúde no Programa de Parcerias e Investimentos do governo federal. É claro que se está diante de um escárnio. Saúde (pela Constituição) é direito de todos e dever do Estado.
Saúde básica, pelo decreto, é como se fosse uma estrada, uma ponte em que para ter acesso se tivesse que pagar pedágio. Ou um banco público ou empresa que se pudesse comercializar ações.
O SUS é hoje um dos melhores sistemas públicos de saúde do planeta. Os postinhos de saúde assim serão igual um balcão de empório: só que ao invés de pegar e pagar, terá que pagar para depois pegar, como hoje já fazem hospitais privados com a caução para internação e tratamento.
Um negócio lucrativo para as empresas que conseguirem a "concessão" (se o Congresso não derrubar essa arbitrariedade) que vai piorar a saúde no país, matar mais pobres (que já sofrem com o SUS) e enriquecer ainda mais os empresários.
Só para se ter uma idéia do mercado no Estado: o governo prevê no orçamento de 2020 o montante de R$ 376 milhões de recursos federais para a saúde. Somando os recursos do Estado, a previsão é de R$ 700 milhões só nos ambulatórios.
Dinheiro público que, é lógico inferir, será repassado a alguma empresa para administrar dado que a maioria da população no Estado (algo próximo de 1 milhão e 400 mil pessoas) não possuem plano de saúde privado. Dependentes do serviço que Bolsonaro quer privatizar.
Não se pode dizer que não esteja sendo coerente com sua proposta de campanha de desconstruir "tudo que está aí". Aprovada, claro, pela maioria dos eleitores que, em larga medida, serão atingidos pela excrescência da semana.


