Sábado, 24 de Out de 2026

Concessão do Jalapão: óbices de forma e conteúdo. No Jornal do Tocantins desta quarta

20/10/2021 452 visualizações

O governo inicia amanhã por Mateiros as duas audiências públicas que fará esta semana sobre a concessão de parte do Jalapão. A outra ocorre na sexta em Palmas. Conhecendo que o prazo para inscrições de participação expirou-se na segunda, a pressa é explícita.

O bom senso e senso comum (e quase sempre a razão) ensinam que nem sempre agilidade na tomada de decisão traduz-se na melhor ação pública pelo não esgotamento do debate que requer reflexão mais acurada e isto, nos humanos normais, exige tempo para compreensão e, após, aceitação.

A forma, assim, não cuidada, tende a contaminar o conteúdo. Ou seja, o que poderia ser entendido como favorável ao Estado, se perde no emaranhado das dúvidas não sanadas justamente pela exiguidade do prazo que lhe foi concedido.

Como se o tempo corresse contra o projeto quando a falta dele na natureza concorre para resultado divergente: sua não observação adequada e, por conseguinte, sua aniquilação, ainda que se dê valor às boas intenções governamentais. Conviria, assim, o poder público respeitar o tempo em favor da natureza que defende.

A vontade contrastando com a representação. A concessão é no Jalapão mas, paradoxalmente, apenas 50 pessoas da cidade terão direito a participar das audiência em Mateiros. Na Capital, a audiência de sexta teve disponibilizadas cem vagas. O dobro.

Conclusão política precedente: haveria maior interesse político a debelar-se em Palmas do que junto aos beneficiados (ou potenciais prejudicados) diretamente com a concessão. Caso contrário, a relação seria inversa. Nos bastidores, é algo palpável o espectro da resistência.

 

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