O jornalista Matheus Leitão (de Veja) - que é filho da jornalista de economia Míriam Leitão com outro jornalista Marcelo Neto, e irmão de Vladimir Neto/Globo - foi generoso com o governador Wanderlei Barbosa. Escreveu que o Tocantins é "o estado que pode pacificar relação do governo Lula com o agro".
E qual o fundamento? O slogan da Agrotins: compliance para o setor e os R$ 2,5 bilhões de negócios esperados. E declarações do Governador, que se poderia considerar um amontoado de boas intenções e platitudes tais como "é possível separar a ideologia política da agenda econômica" e que tais.
No que concerne à realidade, o agro foi diretamente responsável pela perda de 70km2 de cerrado em fevereiro último no Tocantins (INPE). A perda de mata nativa quase dobrou do ano passado até hoje. A soja substituindo o cerrado.
E apesar do agro (que exportou R$ 16 bi no ano passado), cerca de 700 mil pessoas tem renda média per capita de até R$ 200 mensais no Estado. E o governador prometeu reação dura as invasões de terras do MST no Estado. Um braço de Lula nos ditos movimentos sociais. O MST não tem existência jurídica.
No Tocantins, ademais, para se ter uma idéia, o Valor Básico da Produção do Tocantins(abril/2023) - lavouras e pecuária - era de R$ 19,8 bilhões. Concorria apenas na região Norte com os R$ 79 bilhões (Rondônia), os R$ 28 bilhões (PA) ou os R$ 20 bilhões do Acre. O que dizer dos R$ 129 bilhões de Minas Gerais, R$ 145 bilhões de São Paulo ou os R$ 157 bilhões do Paraná.
No Brasil (todos os Estados) o Valor Básico da Produção situou-se no patamar de R$ 1,216 trilhões. Ou seja, a participação da produção do Tocantins equivaleria a 1,5% do país!!!
Não se sabe como esse desempenho sustentaria tamanha potência para pacificar relação entre o PT que passa a mão na cabeça de invasores de terras e os proprietários das terras ocupadas com a produção. Seria o milagre da tal compliance curraleira.
Mas, para Matheus Leitão, é o Estado que vai pacificar as relações de Lula com o agro. Uma relação há muito conturbada, como registrava a mãe de Matheus, Míriam Leitão (conhecida militante de esquerda) que atacava o agro apontando sua lança para a então presidente da CNA, senadora Kátia Abreu.
Só mudando de opinião após a aprovação do Código Florestal, no governo da petista Dilma Roussef, sob o comando da senadora, depois nomeada Ministra da Agricultura do governo do PT.
Agora se explica, em parte, a decisão política da mídia governamental por não anunciar a Agrotins nos veículos regionais.


