Diante da evolução do processo, das evidências e da pura matemática será surpresa nesta terça a comissão processante do Legislativo estadual não acatar a antecipada defesa do deputado Junior Geo à sua propalada insuspeição relatorial contra fatos tão óbvios quanto públicos. Decisão prevista para depois das 18 horas quando a maioria da população já estará alheia às decisões públicas.
Dos cinco integrantes do grupo, três são indiscutivelmente antagonistas do governador afastado e outro, por acompanhar todos os governos, interessaria, circunstancialmente, não contrariar o governo interino, previsível beneficiado com a cassação e, nos bastidores políticos, considerado o protagonistas do empenho.
Um escore de 4 a 1 pelo relatório da forma como apresentado, dado que a troca do relator, por suspeição, representaria a anulação de todos os atos pela comissão praticados, provocando abertura de novos prazos regimentais. E todos tem pressa.
Junior Geo é, ademais muito nítido, a ponta de lança, o dedo indicador público apontado para Mauro Carlesse que os demais parlamentares não podem fazê-lo por terem sido consortes, em larga escala, do conjunto de medidas que hoje impulsiona a investigação policial de que fazem uso, circunstancialmente, no processo que tramita no Legislativo.
Era pública com efeito, a relação Executivo/Legislativo no governo Mauro Carlesse assim como os expedientes mensais para mantê-la, de conhecimento até dos servidores dos gabinetes e que, intui-se, se deu prosseguimento dada a rapidez de alteração de rumo das forças políticas na Assembléia Legislativa, apesar da inalteração dos componentes pragmáticos dos entendimentos e das condutas palacianas pela tal governabilidade.
Ou seja, quando Junior Geo aponta o dedo para Mauro Carlesse (primeiro com seu próprio pedido de impeachment negado e agora na sua escolha e defesa de um relatório cujo mérito se especula com antecedência), ele está indicando, por simples relação de causa e consequência, a direção dos demais parlamentares cuja maioria, hoje também governista, tenta, com a cassação, desvencilhar-se das responsabilidades pela omissão (e até participação societária) na denúncia das impropriedades escolhendo Mauro Carlesse, agora fora do governo, como bode expiatório para efeito de opinião pública em ano eleitoral.
A defesa de Mauro Carlesse deve recorrer da decisão. E terá razoáveis motivos para empreender resistência, ainda que a Justiça possa apontar a matéria como interna corporis. Mas estará feito o angu de caroço capaz de dar mais insegurança e afastar investidores do Estado, com consequências diretas na economia regional.
Podera ser diferente? Sim. Bastava a comissão afastar o relator e nomear outro. As perdas do prazo seriam certamente menores do que arrastar o processo por tempo ad infinito.


