Sábado, 24 de Out de 2026

Comissão pode não afastar relator do pedido de impeachment. Negando a suspeição de Geo estarão apontando o dedo para suas próprias cabeças!!

22/02/2022 530 visualizações

Diante da evolução do processo, das evidências e da pura matemática será surpresa nesta terça a comissão processante do Legislativo estadual não acatar a antecipada defesa do deputado Junior Geo à sua propalada insuspeição relatorial contra fatos tão óbvios quanto públicos. Decisão prevista para depois das 18 horas quando a maioria da população já estará alheia às decisões públicas.

Dos cinco integrantes do grupo, três são indiscutivelmente antagonistas do governador afastado e outro, por acompanhar todos os governos, interessaria, circunstancialmente, não contrariar o governo interino, previsível beneficiado com a cassação e,  nos bastidores políticos, considerado o protagonistas do empenho.

Um escore de 4 a 1 pelo relatório da forma como apresentado, dado que a troca do relator, por suspeição, representaria a anulação de todos os atos pela comissão praticados, provocando abertura de novos prazos regimentais. E todos tem pressa.

Junior Geo é, ademais muito nítido, a ponta de lança, o dedo  indicador público apontado para Mauro Carlesse que os demais parlamentares não podem fazê-lo por terem sido consortes, em larga escala, do conjunto de medidas que hoje impulsiona a investigação policial de que fazem uso, circunstancialmente, no processo que tramita no Legislativo.

Era pública com efeito, a relação Executivo/Legislativo no governo Mauro Carlesse assim como os expedientes mensais para mantê-la, de conhecimento até dos servidores dos gabinetes e que, intui-se, se deu prosseguimento dada a rapidez de alteração de rumo das forças políticas na Assembléia Legislativa, apesar da inalteração dos componentes pragmáticos dos entendimentos e das condutas palacianas pela tal governabilidade.

Ou seja, quando Junior Geo aponta o dedo para Mauro Carlesse (primeiro com seu próprio pedido de impeachment negado e agora na sua escolha e defesa de um relatório cujo mérito se especula com antecedência), ele está indicando, por simples relação de causa e consequência, a direção dos demais parlamentares cuja maioria, hoje também governista, tenta, com a cassação, desvencilhar-se das responsabilidades pela omissão (e até participação societária) na  denúncia das impropriedades escolhendo Mauro Carlesse, agora fora do governo, como bode expiatório para efeito de opinião pública em ano eleitoral.

A defesa de Mauro Carlesse deve recorrer da decisão. E terá razoáveis motivos para  empreender resistência, ainda que a Justiça possa apontar a matéria como interna corporis. Mas estará feito o angu de caroço capaz de dar mais insegurança e afastar investidores do Estado, com consequências diretas na economia regional.

Podera ser diferente? Sim. Bastava a comissão afastar o relator e nomear outro. As perdas do prazo seriam certamente  menores do que arrastar o processo por tempo ad infinito.

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