Sábado, 24 de Out de 2026

Com Gomes no palanque, Wanderlei adere a Bolsonaro com exercício retórico para mostrar-se superado da oposição do PL ao seu governo e demonstrar zelo do presidente com Estado para onde só despachou vacinas depois de 1.300 mortes!!

26/10/2022 962 visualizações

O governador Wanderlei Barbosa subiu no palanque ontem e pediu votos a Jair Bolsonaro. Wanderlei sempre foi mercurial em toda sua trajetória política. Isto rejeitaria a tese de que, justamente agora, fosse distanciar-se da eleição presidencial onde são nítidas duas correntes ideológicas mais que antagônicas, antípodas.  

Ainda que se possa argumentar estarmos diante não só de ideologia, mas de escolha entre duas formas de governo: uma democrática e outra transparentemente autocrática e arbitrária, com consequências direta na vida do cidadão.

Mas Wanderlei viu a necessidade de escolher um lado e o fez, intui-se, seguindo seu próprio matiz ideológico, na maior parte de sua trajetória política, ligada a partidos conservadores e de direita. Mas com vieses diferentes do bolsonarismo, claro.

E olha que Wanderlei tem no seu secretariado tanto técnicos competentes defensores de bolsonaro como de Lula. Assim como deputados eleitos de base bolsonarista e na federação lulista. Uma relação ecumênica e, claro, saudável nas democracias. Coisa que os bolsonaristas-raiz abominam.

A presença do senador Eduardo Gomes (presidente regional do PL e líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso) no palanque de Wanderlei ontem sugere que, depois da campanha eleitoral, seguiriam o manual de reaproximação, mais benéfico, nas atuais circunstâncias (e em 2026), a Gomes que a Wanderlei.

Difere Wanderlei, neste particular, do pai, ex-prefeito Fenelon Barbosa, que submergiu, por assim dizer, ao ímpeto de dona Maria Rosa, a mãe, que, quando sob pressão, aflora no governador.

Mas no caso de Bolsonaro e Gomes, captou um pouco de Fenelon, com determinada medida já que, a priori, não se pensaria pudesse fazer o mesmo com o senador Irajá que praticou, na campanha, praticamente o mesmo que o candidato do PL contra o candidato-governador.

Politicamente, não é desconhecido, Wanderlei tem de Dona Maria o que faltaria em Fenelon que entrou na política justamente impulsionado pela liderança da esposa que hoje é nome de bairro na Capital.

Mas voltando ao apoio, o governador teve que realizar esforço retórico para tentar mudar o voto dos eleitores do Estado que escolheram no primeiro turno o candidato Lula por 50,40% a 44% (434 mil votos / 379 mil votos). De um total de 861 mil votos válidos.

Isto porque, a exemplo do país, houve retrocesso não só político no Estado. O Tocantins, por exemplo, nos últimos quatro anos (Cadastro Único do governo federal) o número daqueles na pobreza e extrema pobreza aumentou em 237 mil pessoas (59,2 mil famílias) que foram adicionadas àquelas que ganham, individualmente, até R$ 200 mensais quatro anos atrás (da última eleição presidencial).

Significa hoje 505 mil pessoas (31% da população) tendo que se virar nos trinta no mês com uma renda de R$ 100,00. E outras 171 mil pessoas (11%) com até R$ 200,00.

O Estado registrava em dezembro de 2018 um total de 282.339 famílias (1,1 milhão de pessoas) na pobreza e extrema pobreza. Em julho/2022 este número já era de 341.605 famílias (1,3 milhão de pessoas). O Estado tem 1,6 milhão de habitantes.

Os trabalhadores sem carteira assinada no Estado eram 189 mil em dezembro de 2018 (antes da posse de Bolsonaro/4º trimestre 2018). Hoje são 230 mil trabalhando sem carteira (segundo trimestre 2022). Os dados são publicos na Pnad contínua do IBGE.

Na Covid-19, quando Jair Bolsonaro liberou vacinas ao Estado (19 de janeiro de 2021, um ano após o início da pandemia) já havia ido a óbito no Tocantins pelo vírus um exército de 1.316 tocantinenses (ontem já eram 4.305 mortes). Mortes que poderiam ter sido evitadas por Jair Bolsonaro.

Em 2018, o governo do Estado fechou o ano com 36,13% das mortes por causas externas nos hospitais públicos como sendo homicídios. Em 2022, até o início de outubro (três meses antes do final do ano) os homicídios já representavam 29% das mortes por causas externas (IntegraSaúde Tocantins).

A quatro dias das eleições, assim, o discurso de Wanderlei chega atrasado e contraditório com a relação Bolsonaro/Tocantins. Pode ontem ter Wanderlei apenas atraído a atenção dos evangélicos que no Brasil atuam escandalosamente como força política e não religiosa.

 

Compartilhar

Deixe seu comentário

Mais em Ponto Cartesiano