Sábado, 24 de Out de 2026

Colunistas de economia e política defendem Lula no estouro das contas públicas como criticavam Bolsonaro pelo mesmo expediente!!! E no enfrentamento das leis de economia de mercado. Daqui a poucou Lula tem bala para enfrentar a lei da física!!

11/11/2022 434 visualizações

Nos governos Lula o ex-metalúrgico era o queridinho da imprensa nacional. Até cair em desgraça com o mensalão e depois petrolão. Um resquício ainda da criação do PT lá no ABC quando a elite cultural paulista viu no torneiro mecânico a liderança que não tinham sobre a população.

Lula aceitou o desafio, disse que não queria partido político nem mandatos (só reajustes para seus companheiros) e depois tomou o PT das elites paulistanas e deu no que deu.

Retornou à presidência  agora pelo voto e, convenhamos, não haveria simetria entre sua defesa da democracia e aquela de seu adversário, Jair Bolsonaro. Lula respeita as instituições, o outro claramente as nega.

Agora que é estupefaciente observar os jornalistas nacionais defenderem Lula na sua proposta de abrir a torneira de gastos (de dinheiro que o governo já não possui) com o menosprezo do equilíbrio fiscal, lá isso é.

Iguais colunistas que gastaram boa parte dos últimos quatro anos combatendo o não respeito ao teto de gastos por Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. Vindo de Lula seria a salvação da lavoura, estourar as metas fiscais. O fundamento agora para o apoio é que Lula teria tratado do assunto na campanha.

Um deles (do UOL) chegou a justificar sua defesa de Lula ontem na TV Cultura com o fato de Paulo Guedes ter prometido a mesma coisa há alguns meses e os  mercados não tivessem sido abalados.

Uma comparação esdrúxula porque confunde objeto e sujeito. Afinal, não é porque os mercados não reagiram, ao seu modo, à época que agora igual proposta de acabar com o teto de gastos se justificaria ou fosse benéfico às contas públicas e à população.

Os mercados tem seus interesesse circunstanciais e quem os defenda. Os cofres públicos (dinheiro de todos) são, por obrigação legal, administrados pelos gestores públicos. E,como é lógico, não se pode gastar o que não se tem, ou gastar mais do que se tem.

Conclusão óbvia: se prometeu, a promessa colocada em prática  deixaria de ser tosca e prejudical às contas públicas. E se atinge as contas públicas, atingiria, consequentemente, os projetos públicos dependentes da administração de recursos públicos. Dinheiro não dá em árvore.

Verificar hoje (ontem), com efeito, até certo apoio ao desprezo dos mercados(e da economia) demonstrado por Lula pelos colunistas – quando o dólar aumentava e a bolsa caía por suas declarações energúmenas – é algo mesmo didático.

Ora, governos não fabricam dinheiro. A economia é que produz e recolhe impostos. Seria razoável constatar que sem a economia (e o mercado), não haveria recursos ao governo. É uma parceria o exercício de  liberdade da atividade econômica, desde que não inescrupulosa.

A sociedade - como escrevia o filósofo francês Benjamin Constant  em seu Princípios de Política Aplicáveis a Todos os Governos -  não tem prerrogativas políticas sobre os indíviduos. A não ser para evitar que eles se firam mutuamente. Governos só podem intervir na atividade econômica por dois motivos: proibições e apoios. Sem privilégios.

O desequilíbrio fiscal, como é claro, eleva a dívida do poder público que para financiá-la o governo tem que fazer novas dívidas, pagando mais juros que elevam, por outro lado, o preço das mercadorias e a inflação.

Sem grana, o governo tem que aumentar os juros para retirar dinheiro do  mercado, elevando (ou reduzindo sua desvalorização) o valor da moeda (simples oferta e procura) que gera a inflação. E aí as pessoas para se protegerem, buscam uma moeda menos volátil e com maior lastro, o dólar.

E se a inflação aumenta, eleva-se a insegurança no futuro e cai o valor do real em relação a moedas mais fortes como o dólar. Se o dólar aumenta, cai o real e aumenta a inflação. E isto, no caso brasileiro, prejudica a idéia de Lula de enfrentar o mercado e o equilíbrio fiscal porque mais o afasta do que o aproxima do objetivo declarado: privilegiar os que passam necessidade.

Lula, tudo indica, falou para o seu público petista como Bolsonaro fala para os bolsonaristas. Aliás, Lula soltou ontem outra: só ele pode resolver o problema o país. "Ele é o cara"!! Começou mal, mesmo querendo começar bem. Uma bravataria ao estilo Lulinha paz e amor de sempre.

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