Deparei-me com um bolsonarista no sábado. Já tinha sido petista, tucano e agora estava com Jair Bolsonaro para o quer der e vier. As acusações contra o clã Bolsonaro no Coaf ou no Ministério Público do Rio de Janeiro eram coisas de quem era contra o presidente e seus filhos. Ainda que seus argumentos se fundassem no combate à corrupção que Bolsonaro dizia estar sendo impedido de realizar.
Dizia-me que Bolsonaro era a única saída para tudo que está aí. E que deputados e senadores (a velha política, repetia) estaria impedindo Bolsonaro de mudar o país. Todos, ministros do STF, deputados de senadores, uns malandros. Bolsonaro, o Messias. Lembrando-me de Shoppenhauer, calei-me.
Não entendia porque, por exemplo, a manifestação seria contra Rodrigo Maia que faz as vezes de Bolsonaro na defesa de tramitação da Reforma da Previdência, na Câmara dos Deputados, exercendo papel que deveria ser do governo na mobilização de parlamentares para sua votação.
Ora, se os bolsonaros defendem a Reforma da Previdência, a razão indicaria que estivessem ao lado de quem a defende no fórum adequado e necessário. Bolsonaro está ha´cinco meses no governo alimentando crises que ele mesmo provoca. Tudo originado no seu círculo familiar e ministerial. Não há uma movimentação sequer da oposição no Congresso.
Ainda que se pudesse ter que Bolsonaro tivesse sido contra a Reforma da Previdência na tramitação da matéria na Câmara dos Deputados no governo de Temer. Publicou vídeos e tudo.
Ou do mérito da própria Reforma que, como é sabido, pode aumentar a pobreza dos que se manifestaram em seu favor no domingo. Vai atingir 30 milhões de brasileiros que dependem dos benefícios para sobreviver.
Segue, na verdade, o fluxo liberal da reforma trabalhista. Do R$ 1,1 trilhão que a reforma vai proporcionar ao governo em 10 anos, R$ 687 bilhões sairão dos aposentados da iniciativa privada. E que ganham menos. E o que se falar dos R$ 182 bilhões que serão, pela proposta, retirados do Benefício (BPC) para idosos em extrema pobreza?
Agora a maluquice maior: defendem o fechamento do STF e do Congresso. Declararam-no na convocação, voltaram atrás na retórica durante a semana por motivos óbvios (crime de responsabilidade do presidente) mas o objetivo continuou o mesmo. Princípio. Mas o fazem argumentando razões democráticas. Ou seja, defende-se a quebra do sistema, fechamento do Congresso e do STF, pela democracia.
Vai dar em quê? Na prerrogativa de Bolsonaro administrar por decreto. Eliminando os poderes Legislativo e Judiciário. Bolsonaro governando sem fiscalização e sem as limitações legais.
E o que é isto? Ora, ora!!!! Ou são malucos e alienados ou ditadores em potencial. Dos malucos, cuida o hospício. Dos ditadores, a história (que os bolsonaristas preferem ignorar) está aí.


