Não passou despercebido o volume de aplausos ao pronunciamento de Wanderlei Barbosa ontem no hall de entrada do Palácio. Era na verdade uma convocatória de coletiva de imprensa na sala de reuniões, mas se transformou num evento político que poderia ser melhor realizado no auditório.
No meio termo, perdeu-se o objetivo já que os correligionários subordinaram o trabalho dos jornalistas. Óbvio que a mudança não foi uma decisão de natureza exógena ou alienada. Mas pensada. O Palácio, na interinidade, optou por fazer política com o artifício de coletiva de imprensa. Jogo jogado.
O problema é que os aplausos ao que subia na interinidade assumiriam, também por lógica, na outra ponta, o caráter de desprezo pelo que era afastado para assunção do interino. Ademais, ninguém em condições normais aplaudiria uma intervenção num governo eleito sem razões comprovadas para tal, caso não fosse mais afetado pelo novo que o substituiria.
Ainda que tivesse a necessidade da firula ontem, Wanderlei cumpriu o rito e foi elegante com Mauro Carlesse, contrariamente à sua claque. Muitos não entenderam ainda que Wanderlei, apesar dos atritos políticos com Carlesse e seu entorno, foi inteligente o suficiente para compreender a natureza política de alianças.
Mauro, governador e Wanderlei, vice, desempenhavam cada um o seu papel. O Governador seria um “asno” político (e paradoxalmente contra o próprio projeto palaciano) se um ano antes das eleições declarasse apoio a um candidato, como a claque barbosana clamava nos bastidores e insuflava o vice ao racha.
Wanderlei não caiu na conversa mas ontem fez um aceno aos seus “bolsonaristas”. Aliás, Wanderlei não precisava (como não precisa) de Carlesse ou qualquer outro para disputar governo. Na renúncia de Carlesse, é ele quem assume com direito à reeleição.
Faltaria-lhe certamente a estrutura financeira do Governador, caso contrário seria ele, e não Carlesse, a disputar o governo na eleição suplementar.
Um projeto que já vinha sendo desenhado muito antes da cassação de Marcelo quando Wanderlei, deputado, já carregava Mauro, presidente da Assembléia, pelas mãos pelo Bico do Papagaio e região Norte do Estado. E não o contrário.
Ou seja, uma disputa antecipada e inócua onde a soma seria sempre negativa.
E que, até ontem, Wanderlei havia evitado deflagrar.


