Períodos eleitorais não raro se prestam a exercícios da dialética erística. É quando a disputa não se dá pela verdade e sim pela proposição que se tem. E aí a verdade objetiva de uma proposição perde para afirmações que, embora falsas, dependendo da dialética, emprestam razão às opiniões. E não aos fatos. Ou seja: o gogó esconde a verdade.
Há casos, entretanto, de difícil refutação, ainda que intentada por exímio "convencedor" dialético. Mas há o risco. Exemplo: a prefeita Cínthia Ribeiro sorteou ontem mais 740 unidades habitacionais.
Na sua administração, até o final do ano terá a prefeita entregue em sua administração (a partir de 2018), 3 mil e 432 moradias a famílias de baixa renda (até R$ 1.800,00). Um total de 1 mil 420 já foi entregue e outras 2 mil e 12 em construção.
Terá a prefeita reduzido em 20% (no período de três anos) o déficit de 17 mil moradias na cidade (número de cadastrados no ano passado) para uma cidade de 300 mil habitantes e que começou do zero há três décadas. Essas 3,4 mil famílias que receberão seus imóveis corresponderiam a 14 mil pessoas (pelos cálculos estatísticos do IBGE) debaixo de um teto próprio, para as 68 mil pessoas na mesma situação no ano passado.
Essas 14 mil pessoas que a Prefeitura possibiitará moradia própria seria equivalente a população de uma cidade do porte de Miranorte (13.375 habitantes/IBGE) ou Lagoa da Confusão. Maior que a populaçao de 123 outros municípios do Estado.
Se essas 14 mil pessoas abrigadas por Cínthia Ribeiro em três anos formassem a população de uma cidade, ela só seria menor que outras 15 do Estado: Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional, Paraíso, Araguatins, Colinas, Guaraí, Tocantinópolis, Dianópolis, Miracema, Formoso, Augustinópolis, Taguatinga e Pedro Afonso.
Não haveria dialética a contrapor-se, com algum êxito, em sentido contrário, a números e valores tais, não fazendo uso de contorcionismo retórico. Ou deixando de lado a "coisa" para mirar-se no "sujeito". E aí o risco também não seria, por certo, irrelevante.
Palmas, afinal, foi planejada para abrigar dois milhões de pessoas sem vazios urbanos. Em 30 anos, registra apenas 300 mil pessoas em 221,9 milhões de hectares (2.218.942 km2). Um grande vazio urbano, carente de pessoas e moradias.


