Dentre os abacaxis herdados pela prefeita Cínthia Ribeiro e que vem sendo empurrados há 30 anos é, seguramente, o sistema de transporte coletivo.
Escrevo sobre o assunto desde a primeira licitação (de Miracema até Palmas) assim como as denúncias de arranjamento. As empresas hoje são as mesmas, como se fossem um consórcio. Uma delas detem, sozinha, 75% do serviço.
Consultar suas tabelas para reajustes de tarifas é um exercício de paciência com malabarismos. Utilizam até hoje os mesmo métodos e regra geral dificultam o acesso do Executivo aos números.
Tudo como se agissem na mais perfeita legalidade, empurrando a responsabilidade e desgastes para os prefeitos. Até mesmo decisões sobre reajuste de empregados. E que muitos aceitam por mera preguiça de ler números e exercitar o cérebro.
De hoje para amanhã a pressão em Cinthia deve avançar. Isto porque expira na quarta, 30, a prorrogação de contrato com as três empresas que prestam o serviço de transporte público na Capital. E o processo de nova licitação, dependente do Plano de Mobilidade, ainda não foi concluído.
E por que isto? Ora, há diversos bairros que não são atendidos pelo transporte coletivo, por exemplo, por encontrarem-se irregulares. Mesmo assim, na Capital há uma média de 6 mil passageiros/hora diariamente.
A não prorrogação do contrato (novo aditivo) até esta terça sinaliza que Cínthia tivesse outra saída para não deixar a população a pé.Uma deles seria retomar os ônibus e contratar os 200 motoristas e empregados responsáveis pela operação do sistema até a licitação.
Pouca gente sabe, mas os 180 ônibus adquiridos pelas empresas pertencem ao município, o responsável constitucionalmente pelo transporte público. Há discussões nesta terça com o Tribunal de Contas sobre a melhor saída.
Há muita distorção no sistema que termina levando passivos políticos à prefeita que apenas tenta, tecnicamente, torná-lo viável e transparente. Hoje, por exemplo, a prefeitura não tem acesso ao sistema de bilhetagem das empresas e ao volume de dinheiro em espécie que entra no sistema.
E que se note: por incrível que pareça o sistema de bilhetagem das empresas foi bancado pela prefeitura. Valor do mimo: R$ 900 mil há cerca de 15 anos.
Sem acesso ao sistema e dependente dos empresários, a prefeitura não tem como administrar o setor que é de sua responsabilidade.
Ainda assim, para não reajustar tarifas, banca 82 centavos do bilhete (20% ) – R$ 800 mil mensais - quando a média nacional é de subsidio entre R$ 6,50 e R$ 7,80, sendo, até por isto, acusada de ajudar empresários.
Como se nota, só o processo licitatório - em fase adiantada - pode cortar essa sangria. E melhorar a vida das pessoas que dependem do transporte coletivo. Daí o movimento contrário das atuais concessionárias. E do reacionarismo anacrônico de setores adversários da prefeita.


