Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Cínthia, se tiver juizo político, tem que acabar o carnaval. E não alimentá-lo. Ação contra áudio sem pedir desculpas é uma armadilha contra sua própria reeleição

luizarmandocosta 29/02/2020 504 visualizações

Os aliados da prefeita Cínthia Ribeiro, tudo indica, tem problemas de compreensão política dos fatos. Ou Cínthia é refratária a conselhos, confiando na sua própria intuição que, até por sua defasagem de conhecimento político e eleitoral, nem sempre é boa companheira.

Andam incentivando (ou ela os incentiva a defender) ação na justiça contra áudio vazado no carnaval. Cínthia, evidentemente, sentiu-se ofendida com o que considera deturpação de sua fala. Um direito personalíssimo. Mas a prefeita parece querer que o carnaval termine apenas no dia da eleição. Uma armadilha político-eleitoral.

Entretanto, se pudesse ser questionada a legalidade da gravação (e aí a prefeita teria que selecionar melhor as pessoas com quem faz confidências) não há nela, por outro lado, deturpação nenhuma. A voz de Cínthia sai lépida e faceira expondo o que pensaria sobre o assunto, ainda que circunstancialmente.

Sem prejuízo do raciocínio de que estivesse correta ao não autorizar a realização de um evento sem o devido alvará.

Anterior a uma ação na justiça, faria melhor a prefeita se pedisse desculpas às pessoas que pudessem ter se sentido ofendidas, com todo direito, por suas críticas. Ainda que não tivesse se referido a todos os frequentadores do Mujica, há, sim, preconceito na fala.

Uma idéia preconcebida de um segmento. Mesmo que a prefeita tenha demonstrado na prática não ser aquilo que expôs no pensamento. Ou seja, falou sem pensar.

Até porque na própria equipe de Cínthia há inúmeros LGBTs, por ela nomeados, e que desenvolvem um trabalho competente, negando a própria fala segregacionista circunstancial da Chefe do Executivo Municipal. Alguns frequentadores do bar e não se tem conhecimento de que andariam defecando ou fazendo sexo em público por lá.

Fizeram uso político? Claro!!! Cínthia sabe o jogo que é jogado,o que a levaria a ter mais cuidados com o que diz e para quem o diz. Não raro, a prefeita conversa com jornalistas assuntos como se estivesse tratando com um amigo na sua cozinha. Não a detonam por pura amizade (uma deformação jornalística, lógico) ou mais conhecimento das nuances políticas que a prefeita.

E isto certamente seria razão para que fizesse uso do pensamento antes da fala. Ao ameaçar abrir ação contra os vazadores do áudio vai bater naquele que gravou e que deve ser-lhe uma pessoa próxima. Abre, também, porta para ação em sentido contrário daqueles que se acharam ofendidos.

E é justamente que os seus adversários mais desejam no ano de sua reeleição: uma discussão sobre gênero em que o agente segregacionista da comunidade fosse a prefeita.

Cínthia tem que encerrar o carnaval e não alimentá-lo.

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