A prefeita Cínthia Ribeiro busca atrair o governo para uma armadilha. Mandou ofício ao Secretário de Saúde na tarde de ontem pedido informações para melhor atender a recomendação do decreto de afrouxamento publicado na segunda.
Em coletiva de imprensa, na mesma tarde de encaminhamento do ofício, Cínthia apontou com todas as letras a intromissão do Palácio Araguaia em assunto de competência das prefeituras. Não poupando também a Justiça e o Ministério Público estadual, que alinharam-se com o governo.
Cínthia disse não saber o que seguir: se as recomendações (de até 48h antes do Decreto) de isolamento rígido feitas pelo Ministério Público e Defensoria Pública ou o afrouxamento endossado pelos mesmos órgãos de uma hora para outra.
"Além disso há um decreto de calamidade do governo em vigor", salientando também o próprio decreto municipal. "Nossa preocupação não é transferir responsabilidades, mas dividí-las", assentou a prefeita.
O pedido oficial de informações feito por Cínthia se presta, tudo indica, apenas para produzir provas contra o governo já que os números do avanço da Covid-19 são públicos e a própria prefeita os apontou na mesma coletiva de imprensa.
De outro modo: o uso político do Covid-19 por parte do Palácio Araguaia, como sugere a prefeita, estaria sendo copiado pela Chefe do Executivo metropolitano, sob o pretexto de combatê-lo.
Muito eloquente na própria avaliação de Cínthia ontem a jornalistas de que a competência para afrouxar ou aumentar o controle seria dos prefeitos. E que de fato é.
Reclamando não do decreto em si (ela disse que 70% do comércio na Capital já estaria funcionando com restrições por autorização da prefeitura), mas de não ter sido consultada, como outros prefeitos, antes da edição do decreto. Vontade política.


