Eventual derrubada do veto da prefeita Cínthia Ribeiro que proíbe a linguagem neutra pela maioria absoluta (metade mais um) dos vereadores da Capital pode ter consequências políticas. Sem prejuízo das consequências jurídicas de uma ADI da Procuradoria no Supremo Tribunal Federal.
Há vereadores que, por ignorância mesmo, não entende e nem quer saber deste negócio de inconstitucionalidade.
Entre a representação popular, a Constituição e as igrejas evangélicas, escolhem o pastor e seus votos.
É mais uma questão de custo/benefício do que de exercício parlamentar. Uma distorção com o voto universal.
Neste grupo estariam vereadores como Eudes de Assis, Pastor Daniel e Major Negreiros, por exemplo.
Este, a propósito, líder de Cínthia na Câmara a quem caberia a defesa dos projetos da prefeitura. Tem contrapartidas públicas (remuneratórias e cargos) para a função.
Daí a musculatura do pastor Amarildo Martins para meter o dedo em riste na cara de Folha Filho na semana passada, dizendo-o de irresponsável pelo adiamento da votação.
A maioria de Cínthia na Câmara é fluída como se viu na eleição de Folha Filho presidente do Legislativo pelo placar de 10 a 9.
Subtraindo, hipoteticamente, para efeito de raciocínio, os três dissidentes evangélicos dos 10, a Prefeita ficaria com apenas sete vereadores contra 12 da oposição, fortalecida com os três dissidentes.
Isto a um ano e meio das eleições municipais pode redundar no fechamento da torneira (cargos, benesses e que tais) da prefeitura aos vereadores inconfidentes e dissidentes.
Cuja saída seria pular de vez na carroceria do Pastor Amarildo e seus asseclas que pode colocar o autor do projeto, ex-vereador e deputado federal Filipinho como candidato a prefeito em 2024.
Rachando, claro, a oposição que já tem, até aqui, fazendo proselitismo, as deputadas Vanda Monteiro, Janad Valcari, deputado Junior Geo, deputado federal Ricardo Ayres e o ex-prefeito Carlos Amastha.
Como os eleitores católicos e das demais religiões e ateus superam os evangélicos na Capital à razão de três para um, as dificuldades para os pastores seriam maiores do que eles apresentam.
Na verdade, os evangélicos são uma minoria achando-se majoritários.São mais coesos porque tratados como rebanho pelos pastores, suprassumo do despotismo não esclarecido. Para os seguidores que, na sua maioria, não lêem jornal e só assistem a TV Record, do bispo Edir. Ou as mensagens dos grupos de wathSapp.
Sua força, em larga medida, está no barulho, na não reação dos demais em mesma intensidade e sentido contrário, na desfaçatez com que se movimentam e nos ignorantes acerca do papel dos agentes políticos e o estado democrático e de direito.


