Ou velhas raposas da política como o ex-deputado (ex-vereador, ex-presidente da Câmara e ex-presidente da Assembléia), Carlos Braga e o senador Eduardo Gomes não estão conseguindo controlar os impulsos dos afectos da prefeita Cíntia Ribeiro, ou a prefeita não está satisfeita com o número de adversários que já tem no seu projeto de reeleição.
E desejaria, com um ano de antecedência, criar mais um concorrente: o vereador Thiago Andrino, que demonstra interesse no cargo de prefeito e seria, em tese, um nome que o ex-prefeito Carlos Amastha poderia apoiar no próximo ano. Ou seja: um erro estratégico primário porque reduziria a base de apoio na mesma proporção em que aumentaria o bloco adversário. Soma negativa em dobro. Wanderlei Barbosa, acomodado na cadeira de vice-governador, deve estar abrindo sorriso de orelha a orelha.
A resposta do vereador Thiago Andrino, ontem, a críticas da prefeita à administração de Carlos Amastha (da qual era vice) impôs à prefeita pelo menos dois passivos correspondentes. No primeiro, aplicou-lhe a pecha de "injusta" e, disto consequente, deu impulso a um racha do grupo de Amastha, concedendo-lhe razão nas críticas indiretas que tem feito à administração municipal. Sem prejuízo do raciocínio de que Cínthia tivesse sido desleal, do ponto de vista político, não só com o ex-prefeito, mas com os fatos. Num momento em que mais precisa é ciscar para dentro. Cuspindo no próprio pé.
Ora, uma obviedade que estes recursos de R$ 50 milhões da Caixa ( como os R$ 235 milhões da CAF) foram gestadas por Carlos Amastha. Eram conhecidas sua relações com as instituições e suas gestões para os empréstimos. A prefeitura está enxuta (que possibilitou os recursos) por obra de Amastha que pegou o Executivo desequilibrado pela gestão de Raul Filho que não era muito ligado com questões fiscais, ainda que tivesse um Secretário de Finanças competente.
Não custava nada o reconhecimento de Cínthia, no caso específico, ao esforço de Amastha. Além de ser uma atitude simpática e leal, honesta do ponto de vista político. Alíás, Cinthia parece não ter processado como aprendizado os passivos de atitude semelhante no ano passado quando inaugurou uma feira nas Arnos, viabilizada com emendas da senadora Kátia Abreu e não a chamou para o evento. Políticos vivem disso, mostrar o resultado de seu trabalho é sua argamassa.
Ademais, tratar a gestão de Amastha como "gestões anteriores" , imputando-lhe, de forma conexa, impropriedades, quando dela participou, provoca deduções também lógicas: a prefeita, quando vice, teria dado endosso a ações da Prefeitura das quais não concordaria. Pior: não concordaria e teria permanecido inerte. Omissão, um pecado imperdoável tanto moral como do ponto de vista político.
Relações criado/criatura tem, regra geral, o mesmo ponto de chegada. O que diferencia é a forma e modo. Amastha tem feito uso de aliados para criticar Cíntha. Ou seja, terceira o verbo. Já a prefeita parecer querer expor de forma direta, sem atravessadores, o que parece pensar. E como franca atiradora, de peito aberto, fica sujeita a mais balas perdidas do que aquele que atira da trincheira.