A prefeita Cínthia Ribeiro parece enfrentar um conflito que, não solucionado, pode resultar em passivos capazes de influenciar no seu desempenho administrativo e político-eleitoral por pura relação de causa e efeito.
A um ano e meio das eleições municipais (4 de outubro de 2020) é nítido no Executivo metropolitano grupos disputando nacos de poder, contrariamente ao calendário eleitoral que sugeriria, por prudência e inteligência, a construção de pontes e não de abismos.
Ou seja: quando mais se aproximam as eleições, os grupos, numa proporção geometricamente oposta, repartem a prefeitura em lados divergentes entre si. Se não tomar cuidado, Cínthia corre o risco de disputar a eleição com algum secretário que nomeou. Ou ser tomada como uma prefeita que não tem pulso.
É uma situação que, no limite, impõe a dedução de paradoxos incontornáveis. Um deles: a influência do Eduardo Montoan, ex-secretário de Governo, na Administração, que aparenta determinar ações públicas de competência exclusiva e indelegáveis da prefeita.
Uma confusão indesejável (como toda imprudência) do público com o privado maior do que faz Bolsonaro com os seus "carluchos" na República. E que mostrou seu rosto mais nítido, recentemente, no desgaste que impôs à prefeita na questão do carnaval de rua (contra os blocos e pela unanimidade no religioso) e até na programação da semana santa. Situações públicas.
Com efeito, as reações do ex-secretário com a demissão da secretária da Fazenda, Vera Lúcia Thoma Isomura (publicada no Diário Oficial 2.226/23 de abril de 2019) , da forma como amplificadas ontem por servidores municipais, dão indícios de que o ex-secretário manteria um poder paralelo na Prefeitura e disposto a não ceder com demonstrações de contrariedade ao exercício de atribuições legais e legítimas de detentor de cargo que não lhe pertenceria. E tão somente à prefeita.
Somando-se a isto a nomeação, no mesmo dia da demissão da Secretária, do advogado Edmilson Vieira das Virgens (que havia sido congelado por vereadores e prefeita naquele rumoroso caso de querer mandar no orçamento mais que vereadores e a própria prefeita) – que seria um dos protegidos de Eduardo Montoan na prefeitura – como Secretário da Casa Civil, tem-se um caldo de cultura não desejável (ainda que se considerasse competências pessoais) a uma prefeita que aspira reeleição e que tem, apesar das âncoras a puxar-lhe para baixo, administrado a cidade sem muitas reclamações. Ainda que faça sua parte, precisa de balões e não de âncoras.
A reação, apesar da aparente compensação (a ex-secretária também faria parte de seu grupo) parece expor que não teria sido suficiente para a aceitação da mudança na Fazenda que, aliás, já representava um problema com os atrasos injustificáveis nos processos de pagamento de fornecedores e prestadores de serviço.
É tudo de que a prefeita não precisa que se cole na sua imagem: o conceito de que seria subordinada, de forma ilegítima e indireta, diga-se, a outras variantes que não as competências públicas e políticas municipais numa cidade que possui, ademais, apenas uma vereadora na Câmara Municipal. Politicamente, um paradoxo dado que Cínthia tem se apoiado, também, na força do empoderamento da mulher e na capacidade do gênero.
Sem prejuízo do raciocínio de que tais situações contribuam para aumentar os problemas da prefeita num momento que necessita de aliados que cisquem para dentro porque inimigos e adversários já os tem do lado de fora. E não são poucos.
Quando, a pouco mais de 500 metros do gabinete da Prefeita, o vice-governador Wanderlei "Carlesse" Barbosa, seu possivelmente maior adversário daqui a um ano, faz justamente o contrário. E com o governo também idem, construindo alianças e pontes e não obstáculos político-administrativos.


