A prefeita Cínthia Ribeiro fez uso de uma metáfora ontem que, talvez, rabisque com pouca margem de erro sua situação: o para-brisa é maior que o retrovisor.
Revelou que pegou a prefeitura no ano passado no mês de abril com 72% do orçamento já comprometido. Ou seja: teve que se virar nos 30 para administrar uma cidade de 300 mil habitantes nos outros nove meses (75% do ano) dado que mais de dois terços dos recursos orçamentários tinham sido utilizados em 25% do exercício pelo ex-prefeito que a antecedeu. É um número que chega atrasado para as críticas que tem recebido. Mas política não se faz com o fígado e sim com o cérebro.
Considerando a campanha eleitoral antecipada do ex que a prefeita tem enfrentado, pode-se deduzir que o tivesse contrariado, com a maximização daqueles 28% herdados para trabalhar os 75% do ano. O menos teria virado mais já que não se tem conhecimento da aplicação dos 72% orçamentários nos três meses de 2018.
A exposição dos dados ontem por Cínthia apontam que Amastha já a considerava adversária antes de entregar-lhe o cargo por imposição da Justiça Eleitoral. Uma adversidade publicada oficialmente na execução orçamentária.
Ora, não poderia ser considerada aliada uma pessoa à qual se deixa uma contabilidade destas feita para criar, evidentemente, mais dificuldades que facilidades no exercício da função de prefeita.
Isto tornaria mais ainda falaciosa a tese de Amastha e do PSB de que teria, um ano depois, aberto oposição por não participação em um governo do qual ele, pelo orçamento entregue à prefeita, não se opôs a explodir, com o objetivo claro de implodir qualquer ação de Cínthia que a legasse ativo político.
A razão indicaria, ademais, por pura lógica aritmética, uma insuficiência daqueles 28% para atender os 75%, o que invalidaria uma crítica sobre performance administrativa sob estes termos colocados. Na matemática ou na física, não se pode cobrar ou usar o que não é dado na equação.
Se ela, ainda assim, acontece, intuo que por motivo diverso e oposto: a não materialização do resultado negativo esperado da equação a partir dos números dados e entregue à prefeita. Mas aí, para dar-lhe algum sentido valorativo e reflexivo, teriam que aperfeiçoar seus fundamentos e argumentos críticos.
Na tangente (ou fora dela) dessa curva, Cínthia tem direito legítimo à reeleição, gosta do PSDB onde está filiada (tem recebido apoios importantes da direção), mas é ameaçada diretamente pelo presidente do diretório regional, Ataídes de Oliveira (que quer disputar o cargo) e que a pressiona com o comando circunstancial do PSDB que possui. Ou seja, pode ficar sem legenda, o que faz seus aliados empurrarem-na para outro partido que lhe dê segurança. Perdendo o PSDB uma prefeita em ascensão.
No popular, a prefeitura fechou o segundo quadrimestre de 2019 com superávit primário de R$ 91 milhões ainda que tenha tido uma frustração de receitas de transferências correntes de 7%, uma frustração de receitas de R$ 62 milhões (R$ 18 milhões só no FPM e R$ 10 milhões do SUS). Liquidou 93% das receitas previstas e 94% das despesas fixadas para o período.
E sem nenhuma majoração de impostos, aumentou a arrecadação tributária até agosto com excedente de R$ 6,1 milhões," decorrente do desempenho do Imposto sobre Serviços (ISS), com R$ 5,2 milhões, Imposto sobre a Transmissão "Inter-Vivos" de Bens Imóveis (ITBI), com R$ 1,7 milhão, e do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF),com R$ 2,7 milhões, compensando a frustação de R$ 3,9 milhões do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU", conforme relatório fiscal encaminhado à Câmara Municipal para audiência pública na Comissão de Finanças, Tributação e Fiscalização e Controle.
Seus adversários terão que encontrar outro flanco para atacá-la.


