Decorridos oito dias da exoneração de cerca de 50 secretários, secretários executivos e titulares de órgãos municipais, a Prefeitura funciona até este sábado com improvisados nas principais funções de comando administrativo. Desnecessário realçar as consequências do vácuo de poder e insegurança de comando no operacional da administração pública numa cidade de 300 mil pessoas e orçamento de R$ 1,3 bilhão.
Cínthia Ribeiro argumenta que aproveitará os prazos eleitorais para fazer uma reforma administrativa. O problema é que o calendário eleitoral (prazo para desincompatibilização) é conhecido desde setembro do ano passado. E reforma administrativa se faz no início do exercício em função de planejamentos. Prazos eleitorais são exceções.
Politicamente, dando-se de barato, não seria plausível que a prefeita (e seus coordenadores políticos) já não soubessem os auxiliares que teriam interesse em disputar as eleições de outubro. E, diante do quadro, já tivessem entabulado sua reforma de forma que, na desincompatibilização, já tivessem seus substitutos para que a administração não sofresse solução de continuidade.
Em desfavor da administração pública, pode-se intuir que Cínthia Ribeiro estivesse esperando, ao invés de desincompatibilização, as mudanças partidárias de vereadores já eleitos (ou de candidatos ainda fora de sua base política) para, aí sim, definir-se pelos novos auxiliares tendo como moeda de troca cargos vagos há uma semana.
Situação que revelaria menos preocupação com o andamento da máquina administrativa que com alianças políticas com vistas à reeleição. Nem que para isto, diminua (de forma consentida, como é notório) o ativo político de seus auxiliares que, demitidos e sem serem readmitidos decorrida uma semana, sujeitam-se à posição incômoda que a prefeita os impõe.
Alguns até mesmo com possibilidades de êxito eleitoral já que não estão em jogo apenas as eleições de 2020, mas de 2022 na sequência. Uma precede a outra. Êxito da primeira, implica na possibilidade de maior êxito na segunda.
Cínthia faz um trabalho reconhecido na Capital mas pode perder espaço na reeleição por ações intempestivas e não refletidas mais detidamente do ponto de vista político, já que tem competência administrativa para demitir ou nomear secretários. E se perde, outro ganha. Um bom sinal disso é o fato do vereador Lúcio Campelo, que fora expulso do PR por apoiá-la, tenha preferido ir para o MDB que pode ter um candidato na Capital este ano a ingressar no PSDB.


