A prefeita Cinthia Ribeiro faz uma administração reconhecida como competente do ponto de vista administrativo e fiscal. Os números são indiscutíveis. Tem, tudo indica, uma boa assessoria técnica.
Politicamente, no entanto, seus orientadores políticos (se é que os escuta) podem levá-la, com a aplicação do aspecto mais rudimentar do senso comum, a perder as eleições antes do processo eleitoral.
O pragmatismo de Cínthia Ribeiro (nas críticas a supostas interferências do governo na Câmara de Vereadores) – feitas ontem numa coletiva de imprensa para balanço da administração - reduz o prático ao utilitário, dissolvendo, por consequência, o teórico no útil.
Nas democracias republicanas, não existe interesse único que reproduzisse a verdade absoluta. Os opostos nunca são dependentes uns dos outros, mas contrários uns aos outros.
O bom não é o bom do mau nem o branco é o branco do preto. Não é porque estabelecessem pressão no Executivo e reivindicassem alterações na lei que os vereadores fossem do mal e a prefeita, irresoluta, fosse o bem.
Ao atribuir ao governo os explícitos (e confessados) problemas de articulação política do Executivo metropolitano na Câmara de Vereadores (sem apresentar provas concretas) a prefeita ofuscou seu desempenho meritório (na administração) para dar lugar a uma azia.
Contrário senso, o governo poderia – a título de raciocínio - atribuir a Cínthia Ribeiro o atraso na votação da Lei Orçamentária estadual de 2019 proporcionado pela ex-presidente da Assembléia Legislativa, Luana Ribeiro, então no PSDB de Cínthia. E sabemos que não foi bem assim.
O processo legislativo é competência dos vereadores, eleitos, como Cínthia, pelo voto popular. Intuo que a orientação política (de seus operadores) à prefeita (imporia a lógica) teria sido a de, diante dos problemas de articulação, jogar a população contra os vereadores e o governo, já praticamente no ano eleitoral, forçando-os a conceder à prefeita a autorização de que se acha merecedora. E que plasmaria a vontade popular na vontade da prefeita, negando o caráter da representação parlamentar, também oriunda da população. Sem negociação política.
Ademais, atribuir a negação ao governo pode ser lido como a própria negação da articulação política da prefeitura e um suposto êxito do Palácio, considerando como válida a tese de Cínthia como é dada, ainda que sem demonstração de sua proposição. A prefeita passa recibo de deficiência política que, na teoria e prática, são os alicerces da administração pública. Caso contrário, teríamos prefeitos biônicos, déspotas não esclarecidos: o prefeito mandava, o vereador assinava e pronto.
A prefeita tem muito a fundamentar-lhe uma reeleição. Variações (e perolações com jeitão de fofoca) políticas do gênero, entretanto, não somam. Pelo contrário, reduzem o seu trabalho e, em perspectiva, a dimensão política de que é, por certo, merecedora pela administração que desenvolve, vencendo preconceitos e melhorando a cidade.


