A prefeita Cínthia Ribeiro flexibilizou medidas de combate à pandemia na cidade. Elas entram em vigor amanhã e no próximo dia 15 de junho. A alteração implica na conclusão de que, para a prefeita, a Covid-19 estaria sob controle, afastando, por desdobramento lógico, desgastes políticos no seu projeto de reeleição.
Do observatório dos números, não é irrazoável avaliar que vai bem na pandemia: com 300 mil habitantes, apenas 763 casos (e oito óbitos) em três meses. Araguaína, com seus 177 mil moradores, já registrava ontem 2.291 casos e 21 óbitos. Num contexto (como o de ontem) em que 46% dos testes deram positivo. Uma estatística que sugeriria existirem no Estado 723 mil contaminados.
O problema da prefeita na reeleição, entretanto, é de outra natureza. Políticos da base aliada de Cínthia Ribeiro avaliaram (em conversas reservadas a este blog) que o principal dificultador da Chefe do Executivo é justamente a grande preferência que tem obtido nas pesquisas de consumo interno que a colocam como imbatível nas eleições deste ano. São indicadores circunstanciais mas a dão com maior aceitação que o senador Eduardo Gomes, que o governador Mauro Carlesse, Wanderlei Barbosa, Raul Filho, Thiago Andrino, Ataídes, Amastha e que tais.
A situação favorece a idéia de Cínthia de se isolar dos políticos pedidores de votos. E sem um arco de alianças, não há pesquisa que dê jeito. A três meses das eleições, a prefeita não conseguiu (e nem agiu para tal) formar um grupo, como dizem seus próprios aliados. "Parece que ela acha que não precisa de ninguém por causa das pesquisas". Para eles, a única política que ela ainda escutaria seria a deputada federal Dorinha Seabra.
Cínthia tateia na condução política. Depois de ter colocado um grupo neófito em negociações e estratégia política, mais próximo dos afetos que da política, parece, agora, estar aconselhando-se também com o secretário de Finanças, Rogério Ramos, mais afeito a conversações político-partidárias. Um avanço. Ainda que tenha também do seu lado políticos experientes como Darci Coelho e Carlos Braga, parece não ouvi-los ou se os escuta, não os atende.
Um problema que pode transformar uma reeleição garantida em derrota construída. As velhas raposas da política sabem no que resulta, na política, colocar a vaidade à frente do bom senso, do senso comum e da razão.
Exemplos no Tocantins é o que não faltam.


