A prefeita Cínthia Ribeiro avança nesta quinta no Covid-19: entrega os cartões para 9 mil e 819 beneficiários retirarem o auxílio de R$ 200 e inicia a vacinação de pessoas com 59 anos. A cidade era, até ontem, a única das capitais do pais a patinar dos 60 anos depois de quase quatro meses de imunização.
Nas vacinas, auxiliares justificavam a falta do imunizante. Como há capitais vacinando pessoas com menos de 30 anos (e o PNI prevê disponibilização de vacinas para 1% da população indistintamente), o responsável pelo atraso, por lógica, seria o governo do Estado ou o governo federal. Na Capital ontem, de 362 testes, 113 deram positivos. Um índice alarmante de 30,9%. Já eram 530 os óbitos.
Considerando que é o mesmo governo federal que as encaminha aos demais Estados (e que Maranhão, DF e São Paulo, por exemplo, que estão adiantados e são governados por oposicionistas a Jair Bolsonaro) seria eliminada da equação a União e aí o problema do atraso reacairia, por gravidade, no governo estadual, hoje aliado de Cínthia.
Perolações (que podem até firmarem-se verdadeiras) para a lentidão, mas não afastariam o entendimento a priori do senso comum que pode ser proveniente de entraves burocráticos e de planejamento. Caso contrário, a Prefeitura já teria dado o grito: pera lá, cadê minhas vacinas do PNI!!!
Como é notório, uma Secretaria de Saúde sendo administrada concomitantemente pelo Secretário de Planejamento em plena pandemia que matou até ontem 530 pessoas na Capital, algo irá faltar como se identifica. Somando a isto, as discricionariedades da avaliação de prioritários, o caldo entorna.
No caso do cartão (auxílio emergencial), Cínthia é uma das poucas prefeitas (e governos) que o implantaram. Ainda que se computasse a demora entre o anúncio e a aplicação e valor do benefício, 9 mil e 819 pessoas recebendo R$ 200 mensais é um alívio (mesmo valor do auxílio federal).
O cartão não tera custo algum ao erário nem à população beneficiada (será do empresário onde o cidadão fará as compras), o que afastaria dúvidas quanto ao contrato publicado que informa zero de custo com as duas empresas selecionadas. E que certamente já despertaram os instintos mais primitidos dos adversários mais afoitos e apressados da prefeita.
Para se ter juizo de valor desse 9 mil beneficiários, na Capital (dados do Ministério da Cidadania) existem 163 mil pessoas assistidas com o auxílio emergencial (elegíveis e extensão do Bolsa Família). Algo em torno de 54% da população. Destes, 84 mil estão na faixa de idade até 54 anos. O valor jogado em Palmas no ano passado ultrapassou os R$ 400 milhões.
Em maio deste ano, o Bolsa Família beneficiou 10 mil e 919 famílias na Capital (uma população de estimadas 35 mil pessoas) com uma média de benefício de R$ 42,00, liberando cerca de R$ 900 mil. Na cidade, há cerca de 5 mil famílias com renda de até meio salário mínimo. O Bolsa tem 12.383 famílias cadastradas em Palmas.
Mas tem outros benefícios do governo federal. Em maio último 3.983 pessoas receberam R$ 308 mil para a superação da pobreza (BSP), 8.548 tiveram R$ 350 mil (benefício variável a crianças de 0 a 6 anos). 11.265 pessoas receberam R$ 461 mil (crianças de 7 a 15 anos), 679 gestantes (R$ 27.839,00) e 2080 adolescentes tiveram R$ 99 mil ( benefício variável vinculado ao adolescente/BVJ).
No Estado os elegíveis do auxilio emergencial do governo federal somam 536 mil, Destes, 439 mil (81,94%) são extensão do Bolsa Família.
Um Estado de pobreza.


