Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Cinco pré-candidatos, encabeçados por um inelegível, para valer um: Marcelo Lélis parece não querer cair na arapuca!!!

luizarmandocosta 31/08/2020 923 visualizações

Os partidos tem de hoje até o próximo dia 16 para realizarem suas convenções. Após o prazo tem mais dez dias para registrarem suas candidaturas (26 de setembro). Estas duas semanas são a fase em que os pré-candidatos exibem seu valor de face.

Vão ao mercado para colocar o produto que desde o início ano dizem ser o melhor: suas próprias qualidades. A exemplo da tradicional xepa, há também as frutas podres querendo passar-se por degustáveis e dentro do prazo de validade pelos comensuais eleitores.

Não tem certeza do preço que colocam na etiqueta, mas alguns sabem que necessitam indubitavelmente de que lhes ofereçam qualquer valor, mesmo simbólico, para sinalizar ao mercado que valem algo.

O encontro de MDB, PT, PCdoB, PDT e PV na sexta-feira passada repete o fluxo. Pela lógica partidária, eleitoral e até judiciária, dos cinco partidos, o PV é o que (se prevalecesse a razão aos interesses) convergiria não as legendas, mas os pré-candidatos delas colocados.

É uma proposta que termina por expor a fragilidade eleitoral dos pré-candidatos já anunciados e, consequentemente, aponta a musculatura da prefeita Cínthia Ribeiro em função da necessidade de unir-se pré-candidatos e partidos para derrotá-la e a seu projeto administrativo. E nisto, explicitam, de forma inequívoca, a impotência de suas críticas à prefeita que seriam ineficientes para abalar seu ativo político, obrigando-os à aliança.

Marcelo Lélis (pré-candidato do PV e que foi derrotado em duas eleições por pouca margem de votos) não caiu na patuscada, não foi à reunião mas mandou representante (ligado a Raul Filho). Como é notório, pelo menos quatro dos pré-candidatos são tributários do ex-prefeito: Ivory Lira (concunhado), Milton Neris e Germana Pires.

O PT, de João Vilela, é do grupo de Donizetti Nogueira e Paulo Mourão, artífices da administração de Raul, eleito e reeleito pelo PT. Já o MDB está um balaio de gatos dividido entre o senador Eduardo Gomes (hoje maior liderança nacional da legenda, que apóia a prefeita) e a deputada Dulce Miranda (que leva o partido circunstancialmente ao abismo com Raul inelegível até 2026). Se tivesse uma votação, mamão com açúcar para escolher aquele que encabeçaria a chapa: Raul na mosca, pule de dez.

Seria imponderável, assim, diante deste escore aí (quórum indiscutível numa votação para escolha do candidato da aliança) e da inelegibilidade inconteste de Raul e da inanição de votos dos demais partidos na cidade, Marcelo Lélis abrir mão da cabeça de chapa. Finalidade única da frente diante da falta de coligações proporcionais para vereadores.

De outro modo: é possível deduzir que, diante desta constatação pública, os participantes estariam desde já negociando, em troca de apoio, cargos na administração e não colégios eleitorais na cidade para eleger-se ou reeleger-se. É uma aliança ameaçada, a priori, mais por insuficiência de bônus e vaidades incontidas do que interesses programáticos e pragmáticos.

Afinal todos querem (como propuseram as lideranças na sexta) desenvolvimento com justiça social, gestão democrática e sustentabilidade ambiental. Até mesmo o pré-candidato do MDB, Raul Filho, inelegível justamente por condenação criminal por crime ambiental.

Sobre desenvolvimento social, Raul foi mestre. Disse que só teve o azar de ser filmado mostrando oportunidades ao bicheiro Carlinhos Cachoeira (coleta de lixo da Delta em Palmas/R$ 70 milhões de contratos e denúncia de pedido de R$ 150 mil por seu assessor direto)  e fez dos buracos nas ruas de Palmas, ativo social. Criou até mesmo, ele próprio, o "tempo do buraco" para agrupar-se ao "tempo do caju" e ao "tempo do pequi".

É a democracia.

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