Não haveria dúvidas que os 117 mil analfabetos do Estado (com dez anos ou mais) e o meio milhão de pessoas com idade acima de 25 anos que não conseguiram concluir o segundo grau no Estado ignorariam o que seja homeschooling que mais da metade dos deputados federais do Tocantins aprovaram na semana passada. Sem consultá-los ou à população que representam.
Mas sofrerão na pele mais ainda, especialmente aqueles quase 600 mil que dependem mensalmente do Auxílio Brasil (e Bolsa Famíia) – uma renda per capita mensal de R$ 100,00 – as consequências de mais uma etapa bolsonarista de desmonte do país. Nâo à toa rechachado pelas autoridades em educação de todo o pais e mais de 600 entidades que fizeram circular uma nota contra o estrupício autoritário.
O projeto que libera o ensino domiciliar teve o aval de cinco deputados federais do Estado: Osires Damaso (candidato ao governo), Vicente Junior (candidato à reeleição a deputado federal), Carlos Gaguim (reeleição a deputado federal), Eli Borges (reeleição a deputado federal)
E, máxima contradição, da deputada federal professora Dorinha Seabra (candidata ao Senado) que não compareceu à votação. A omissão, como é lógico, no caso, figura como voto a favor e, pior, oriundo de uma profissional da educação e que foi eleita tendo o setor como base eleitoral.
Pelo projeto, esse exército de famélicos estudariam em casa sob fiscalização do poder público. Como é público, a grande maioria de baixa renda vai à escola não só por educação, mas por comida. Assim como é fato que crianças trabalham para o orçamento doméstico.
Os índices de analfabetismo (e a fome) indicam que a maioria dos pais não teria condições de acompanhar suas crianças nas tarefas de casa. Não tem conhecimento e tem que sair às ruas atrás de comida.
E o que dizer dos professores. Obviamente os profissionais da educação seriam demitidos por falta de necessidades. E os prédios escolares? Ademais, o poder público não consegue hoje fiscalizar e administrar as escolas, o projeto esdruxulo não informa como o fará em milhões de domicílios no país.
Apenas um baba-ovo bolsonarista assumido por 264 deputados federais na Câmara dos Deputado. Do Tocantins, apenas Célio Moura , Dulce Miranda e Tiago Dimas se posicionaram contra a tragédia anunciada (e construída) na educação pelos bolsonaristas.
É ver como se posiciona o Senado.


