Há algo que não bate na informação divulgada ontem pelo Jornal Nacional e os números da Secretaria de Saúde. As informações da Globo (coletadas pelo pool de veículos de comunicação) indicariam que a contaminação da Covid-19 teria estacionado no Estado. Ou seja, teria encontrado um ponto de equilíbrio comparado a outras unidades da federação. De outro modo: não estaria sem controle.
Os números da Secretaria da Saúde demonstram que de 1º a 9 de julho, os casos elevaram-se a 3.404 novos contaminados. Uma média diária (nos nove dias) e 378 casos a cada 24 horas. No nove dias anteriores a 1º de julho (22 a 30 de junho), o Estado registrou 2.443 casos. Ou: 271 novos casos por dia.
Onde estaria, portanto, o equilíbrio (ou não avanço de casos) num Estado que registra um crescimento de contaminados da ordem de 39,3% em nove dias? Ou: 39% na média diária (aceleração) de novos casos a cada 24 horas em uma semana e meia!!!!
Idêntica situação é revelada na Capital. De 22 a 30 de junho registrou 637 casos (média diária de 70 novos contaminados). Já de 1º a 9 de julho, registrou 783 casos, com uma média diária de 87 novos contaminados a cada 24 horas. Onde estaria o controle?
Se compararmos apenas os números de 30 de junho a 9 de julho, o avanço foi de 30%. Ou seja, passou de 10.764 (30) para os 13.845 divulgados ontem.
Os números e suas versões impõem, na verdade, impulso ao descontrole já que o poder público operaria com indicadores e avaliações que não espelhariam a realidade. Muito explícito nos próprios boletins da Secretaria de Saúde.
Na plataforma da Covid-19 do governo informa-se nesta sexta que a ocupação das UTIs Covid é hoje de 70% (Hospital Regional Gurupi), 47% (Hospital Regional de Araguaína) e de 40% (Hospital Geral de Palmas). E que nos leitos clínicos da Covid-19, a taxa de ocupação era de 0% e todos os hospitais públicos do Estado. Ou seja, não teria contaminado ocupando leitos clínicos destinados à Covid.
O problema é que no Boletim da Covid-19 de ontem (o mais recente) haveria 153 contaminados hospitalizados. Destes, 64 em UTIs Covid (privadas e públicas) e outros 89 em leitos clínicos da Covid que na plataforma se informa não haver ocupação.
De forma que ou o governo mandou estes 89 para outros Estados ou os está mantendo em internações junto como outros pacientes em leitos não destinados à Covid-19.
Mas há jornalistas (até da Globo) que não ligam muito para números ou outras questões. Dias atrás, um destes especulava que a eleição da mesa diretora da Assembléia Legislativa do Tocantins teria sido antecipada por força da pandemia.
Não havia lido sequer a convocação. Ou as normas das eleições que, como é público, são fundamentadas em alteração realizada no regimento do Legislativo há quase dez anos. Esticando a pandemia para trás em uma década.


