Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Carne teve reajuste de 39,5% em um ano e 65% das exportações do Estado este ano, R$ 227 milhões saíram dos frigoríficos. Mas Sindicarnes diz ao JTo que há retração antes do vírus!!!!

luizarmandocosta 26/03/2020 399 visualizações

Enquanto os governos buscam alternativas para superar a crise, empresários encontram uma forma de luta por seus lucros. O capitalismo, como se nota, ainda não encontrou uma saída para esse negócio de mercado que só beneficia os meios de produção. É do jogo.

O Jornal do Tocantins desta quinta traz uma elucidativa reportagem com o Sindicato da Indústria da Carne no Estado. Os frigoríficos, com efeito, empregam pessoas, geram impostos e ocupam um vazio sanitário. Especialmente dos pequenos municípios que não tem frigoríficos públicos. Tem um papel importante na economia.

A entidade, entretanto, aponta retração no mercado (diminuição de vendas) desde antes da pandemia por causa da falta de matéria prima (gado para abate) e do aumento da carga tributária. E que a maior parte da carne produzida no Estado é vendida no país. Mas empresário, no mesmo capitalismo, é sujeito a riscos próprios do negócio, sem terceirizar os prejuízos.

A retração que se diz, como é notório, é na falta do produto para o frigorífico abater e comercializar lá fora. Como o mercado internacional aumentou a procura, os lucros dos frigoríficos explodiram contra a redução da oferta interna nos açougues. É melhor vender em dólar e em grandes quantidades do que as merrecas diárias fraccionadas do mercadinho da esquina.

O problema são os fatos: os frigoríficos do Estado exportaram de carne para o mercado internacional nos meses de janeiro e fevereiro deste ano o equivalente a US$ 45,2 milhões (R$ 227,4 milhões na cotação de hoje). Os dados são do Ministério da Economia, Indústria e Comércio Exterior.

Representam 65% de todas as exportações no ano (janeiro/fevereiro/2020), superando os 13% da soja (no ano passado a soja ocupou 70% das exportações do Estado).

O desempenho das vendas internacionais dos frigoríficos no ano passado (2019) foi de US$ 177 milhões contra os US$ 117 milhões de 2018. Um crescimento nas exportações de 51% (US$ 60,7 milhões) em um ano.

Isto evidentemente não aponta, em absoluto, retração. A não ser no mercado interno pela oferta e demanda. E sim resultado do aumento da demanda dos países importadores que levou, sim, à diminuição da oferta no mercado interno.

Com o Covid-19 as pessoas que já não compravam carne, terão maiores dificuldades para obtê-la, lógico. Isto, sim, levará à retração, a partir de agora (e não antes), na economia e nos lucros dos frigoríficos, que não será tanto para os empresários, dado que seus produtos, em larga escala, são comercializados para outros países. Pode haver retração por falta de produto em função da demanda internacional. E não do consumo no Estado. Em ambas as situações só perde o consumidor. Os frigoríficos terão seus mercados.

Daí o preço do quilo do coxão-mole em Palmas, por exemplo, ter pulado dos R$ 23,99 (janeiro/2019/Procon) para os atuais R$ 33,49 (Procon/24 de março/2020). Um reajuste de 39,5% contra uma inflação oficial (nos últimos doze meses/fevereiro/2019/fevereiro/2020) de 3,89%!!!! Um crescimento real de 35,61% nos preços. E os frigoríficos é que tem posse dos instrumentos para diminuir ou aumentar o preço, manejando oferta em relação à demanda.

Neste período todo aí, os frigoríficos só pagavam 1% de alíquota de ICMS. O governo a reajustou (lei aprovada no ano passado) este ano (começaram a recolher em março) para 3,5% (circulação de carne sem osso) e 4% (carne com osso) - nas exportações são liberados de imposto pela Lei Kandir - , reduzindo a sangria de mais de R$ 300 milhões de renúncias ao setor nos últimos anos. É a isto que eles denominam aumento da carga tributária.

Compartilhar

Deixe seu comentário

Mais em Ponto Cartesiano