A semana começa como terminou a outra: um governador interino acossado por um governador afastado. Do ponto do interesse da população, pelo desempenho de um e de outro não haveria razões para apreensões. Wanderlei no cargo não pisou na bola, antes a dominou com uma concertação política com ex-adversários do Palácio e mantendo o desempenho da máquina.
E se elas ainda assim prevalecessem seriam retroalimentadas por fake-news de grupos aliados ao governador afastado pelo STJ que ameaçam o seu retorno, contando-se o prazo em horas (no último deste final de semana falava-se para julgamento na quarta quando não há nem pauta pública), para afastamento, agora do interino que consegue, na interinidade, manter o governo funcionando.
Mas atenção: até aqui sem as suspeições que recaíam, ainda que de certa forma até leviana, sobre o governador afastado, que, no cargo, caso se confirme a boataria, continuaria até julgamento do processo sob o mesmo signo da dúvida. Sombra que não paira sobre o interino, até aqui insuspeito de qualquer desvio.
Ou seja, o que os aliados do governador afastado vêem como estratégia de defesa do estado democrático de direito que tivesse sido interceptado pelo STJ, assim, prejudicaria mais que beneficiaria a população. E o próprio governador afastado.
Não no mérito da defesa, mas no método empregado a tática pode apresentar-se bumerangue na medida em que impulsiona o raciocínio de que o governador afastado não só a tivesse incentivando, mas fosse dela o criador. Levando-lhe o passivo de causador de novos traumas políticos no Estado com os seus sete governadores em 14 anos. Teríamos, assim, um oitavo, considerando afastamento e retorno. Sem definição da Justiça ainda o que levaria a um trauma duplo.
Como dessa ação corresponde uma reação direta da economia e da população, posto trazer de volta a insegurança jurídica e política do afastamento, vencida, por enquanto, pela atuação do governador em exercício, as pessoas mais bem informadas (os tais formadores de opinião e a classe política) podem formar uma massa crítica de vetor contrário que, ao invés de aproximar o governador afastado de seu objeto, pode afastá-lo ainda mais do cargo, analisados intenção e o gesto não correspondente que a boataria expõe de forma indiscutível.
Dúvida quanto a origem da boataria que poderia ser sanada pelo próprio governador afastado com uma simples negação pública que ainda não veio, incentivando, com a omissão, mais dúvidas e insegurança, afastando investimentos e paralisando a administração.
Mauro Carlesse, como se nota, necessita de assessoria política mais do que jurídica. O problema é que ele sempre se movimentou como se dela não precisasse.
O afastamento do STJ, com efeito, deve-se creditar, em larga medida, às suas dificuldades de fazer política com a oposição ou defesa de idéias. Ou seja, fez uma confusão danada sobre o que seja pragmatismo político, toma-lá-dá-cá e as instituições.
Foi eleito pelo voto popular, ajustou até certo ponto a administração, fez um governo indiscutivelmente melhor que todos os seus antecessores. Mas tudo indica não soube muito bem lidar com isto o que lhe trouxe circunstâncias não favoráveis sobre as quais tem o direito de discordar e se defender.
A boataria, com origem indiscutível pelo que defende, o faz ainda tripulante do mesmo barco que levou à deriva.


