Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Carlesse com a faca e o queijo nas mãos: projeto político do governador tem tudo para afirmar-se como a maior força política do Estado

luizarmandocosta 09/06/2019 791 visualizações

As movimentações partidárias da semana se por um lado mostraram que o governo não detém, por enquanto, o controle de todos os partidos, por outro reforçou, entretanto, o poderio e a musculatura do governador Mauro Carlesse. Mesmo com a ameaça do MDB, sob o comando do ex-governador Marcelo Miranda, ainda uma liderança regional inconteste.

As circunstâncias indicam que dependerá mais do governador  e de sua ação direta do que de fatores alienígenas, firmar-se ou receber em troca resposta negativa ou positiva da população por compromisso políticos ou de gestão cumpridos ou não cumpridos.

Ainda que receba Carlesse críticas por desempenho, elas são, na prática, certo modo arrefecidas (e até compreendidas) - ainda que não se o devesse já que eleito justamente para resolver os problemas - pela constatação óbvia de que a situação financeira, administrativa e fiscal do governo não fora por ele elaborada. Só tem um ano de governo.

Daí que os desgastes de Carlesse seriam provenientes mais da forma como administra, do ponto de vista político, a situação do que dos problemas propriamente ditos que remontam a outros governos. E aí, criam-se mais problemas.

Mauro Carlesse no Democratas (presidente da Câmara e do Senado e possivelmente Jair Bolsonaro), com efeito, dá fôlego ao governador e empresta-lhe poder capaz de atrair mais força política regional. Prefeitos gostam é de dinheiro e poder político. Isto a um ano das eleições municipais.

Já tem a tiracolo dois senadores (Kátia e Eduardo) – podendo ter um terceiro - e cinco dos oito federais. No Legislativo, tem conseguido quase unanimidade. Não é pouco. Se na bancada federal pode sofrer deserções (Kátia, Eduardo, Irajá ou Gaguim podem descobrir  que favorecem o projeto de Carlesse quando o auxiliam sem garantia de contrapartida ), na estadual não corre qualquer risco. E a federal depende dos vaqueiros de voto estaduais.

Aprovados estes empréstimos de R$ 729 milhões (Caixa/BB) e cerca de R$ 900 milhões (Banco Mundial), Mauro Carlesse tem condições de pavimentar qualquer projeto político para 2020 e 2022. Retirando do consciente popular o estado de caos pré-existente ainda que não o elimine.

A situação do Estado não vai ficar uma maravilha e a administração do ponto de vista fiscal, será piorada com o aumento da dívida pública e não contenção dos salários do funcionalismo. Mas na saúde, rodovias e avenidas das cidades, a população certamente sentirá mudança a curto prazo, mesmo que a longo prazo suas vidas tendam a desgringolar mais ainda, com os possíveis desvios daqueles previsíveis.

Neste aspecto, Mauro Carlesse tem dado um banho em Carlos Gaguim e Sandoval Cardoso, ambos levados ao governo também interinamente, que se alimentavam do MDB e demais partidos de oposição, para manter-se no poder. E não seguraram o "taco".Carlesse venceu duas eleições e está aí.

Carlesse devorou o governo do MDB antes mesmo da cassação de Marcelo (comandando, na prática, o governo do Legislativo), ganhou duas eleições em um ano, sedimentou uma base parlamentar e agora pode ter R$ 1,6 bilhão para gastar a um ano das eleições municipais, que são prévia para as eleições estaduais.

Muito difícil em quatro anos surgir uma oposição capaz de modificar este contexto. Ainda que seja possível, as probabilidades atuais não o incentivam.

E.pela lógica, ninguém é insano para buscar o naufrágio maior do Estado por mero capricho eleitoral.

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