É mais do mesmo dizer da relevância das eleições deste domingo. Ainda que Jair Bolsonaro tenha impulsionado os bolsonaristas tratarem-nas como uma disputa entre direita e esquerda, a família e o PT, a moral e a ética e Lula, não é. Até pelas contradições e paradoxos do discurso de um e outro.
Não se pode dizer de coerência defender violência como princípio moral, ético ou religioso. E tratar os diferentes como elementos a se eliminar. Joana Darc parece ser o nosso futuro. Nem Roma ousou tanto com seus diferentes. Pelo contrário.
Está em disputa é mesmo a democracia, o respeito às instituições e à própria sociedade que, regra geral, não é adepta de palavrões, de sair de arma em punho contra adversários ou de atacar o juiz por uma decisão que não lhe seja favorável. Ou do fechamento da última instância da Justiça brasileira.
As escolhas são individuais como permite o estado democrático e de direito. O leitor do blog tem pleno conhecimento de sua posição. Ainda assim, não me atrevo a pedir votos a este o aquele candidato, por questão de consciência política. Limito-me a apontar circunstâncias, causas e consequências.
Com efeito, Carla Zambelli (ontem) e Roberto Jeferson (há uma semana) são esbirros de Jair Bolsonaro e de algo não razoável nem civilizatório. É possível inferir que muitos bolsonaristas defendam o estado democrático de direito.
A irresponsabilidade do presidente ao sugerir o uso de armas para solucionar conflitos levam, entretanto, parcela ignorante do bolsonarismo a fazer como Zaira e Jeferson.
Assim como milhares foram a óbito por seguir a orientação de Bolsonaro para não ficar em casa e da desnecessidade de máscaras e de vacina.
Orientados que foram a fazer uso da cloroquina que não tinha qualquer efeito sobre o vírus, conforme a Organização Mundial de Saúde. Resultado: somos o 7° país do mundo em população e o 5º em número de óbitos per capita no planeta.
Nunca votei no PT ou no Lula. Nos governos petistas, a militância entrava no blog com sua filosofia de boteco chinfrin, alimentados pelo "marxista-capitalista" Zé Dirceu. Diziam-me de direita.
Já fui trotskista na faculdade nos anos 80 quando me achava representado na filosofia do lider bolchevique Leon Trotski que disputava a hegemonia do partico comunista da União Soviética com Stalin. Imagina.
O comunismo não havia conseguido firmar-se no Brasil (Prestes e João Amazonas aliaram-se a Getúlio e queria uma ditadura comunista no país, foram tratorados pelos militares do golpe de 64) mas a ilusão bolchevique ainda campeava nos campi universitários quase um século depois.
Mas li o bastante (livros) para descobrir a tempo os benefícios da democracia liberal e os males do comunismo e socialismo que nem Marx ou Engels defenderam até o fim o sistema que gerou as milhões de mortes de Stalin ou a pobreza autoritária de Cuba, Albânia e que tais.
Gênese que foram do extermínio dos judeus por Hitler que, como Bolsonaro, mistura religião com política. Ele próprio, Hitler, defensor da tal pátria, família e Deus. Era protestante (hoje seria evangélico) depois de pais católicos.
E judeus como os milhões que mandou eliminar nos campos de concentração. A grande maioria dos cristãos também são pessoas de bem. Os ditadores são exceções que apenas confirmam a regra.
Muitos, entretanto, seguem de olhos vendados, à moda Jin Jones, os ricos pastores de suas igreja, interessados em barras de ouro do dinheiro público. Um suicídio coletivo em pleno século XXI. Mas atenção: um suicídio moderno porque, diferente da seita de Jin Jones, é necessário que vivam para a sobrevivência da seita e seus líderes.
Apontava aqui, as roubalheiras do PT, as idiossincrasias do filho de general do Exército, Aloisio Mercadante e as peripécias de trombadinha do deputado petista presidente da Câmara, João Paulo Cunha. As invasões do MST com o incentivo dos presidentes petistas, a destruição de plantações de fazendas produtivas, as invasões nas cidades. O arquivo do blog está aí.
O PT, entretanto, pressionado pela população, conteve seus ímpetos de controlar meios de comunicação ou de tomar de conta do Supremo Tribunal Federal.
Lula foi preso sem resistência, não saiu dando tiros de fuzil contra policiais federais e se defendeu na Justiça da parcialidade de Sérgio Moro (que também apontei aqui) que o condenou quando era favorito nas eleições contra Jair Bolsonaro e depois tornou-se Ministro da Justiça do beneficiário de sua sentença. E hoje é senador eleito ao lado também do presidente que beneficiou com suas sentenças.
A vantagem da população no Brasil é que a grande maioria dos juízes e promotores são servidores públicos do bem e que respeitam as leis e as aplicam.
Está em jogo hoje, portanto, esse equilíbrio civilizatório.


