Candidatos a prefeito e a vereador vão invadir na próxima sexta-feira a casa do cidadão sem pedir licença: terá início a propaganda eleitoral gratuita no rádio de tv, que de gratuita não tem nada. Será de manhã, meio-dia e à noite até o dia 12 de novembro.
É a lei que tem um princípio: dar transparência (e publicidade) sobre as propostas dos candidatos para que o eleitor os avalie. O paradoxo é a pobreza da população que impunharia aos próprios candidatos bancar as despesas para vender o seu produto já que, no final das contas, será um comércio, ressalvadas as raras exceções, no mais das vezes, entre empreiteiros, fornecedores, prestadores de serviço e agentes públicos.
Nas eleições de 2016 (Contas Abertas) teria a propaganda eleitoral consumido R$ 576 milhões. Isto porque as emissoras tem direito a compensação fiscal pela veiculação. Receita de menos para o poder público e um gasto de R$ 2,80 por cada cidadão.
Grosso modo: uma fatura de R$ 4,4 milhões para cada um dos moradores do Estado seria o gasto do contribuinte nas campanhas do candidato a prefeito e vereador este ano. Um aperitivo porque bancará seu salário (do vencedor) nos próximos quatro anos. E outras regalias.
No que mais importa, será interessante escrutinar as promessas de campanha. Já começaram os candidatos a estimular o cérebro do cidadão com obras para tudo que é lado. Ainda que relatório do Tribunal de Contas do Estado tenha encontrado 506 obras paralisadas no Estado. Iniciadas e não terminadas. Ninguém quer terminar obra porque lembrará aquele que a iniciou.
Conforme o TCE, seriam R$ 3,6 bilhões virando verrugem. O governo teria 168 obras paralisadas. Já a prefeitura de Palmas é apontada como detentora de 11 obras contratadas e não terminadas de 2007 a 2018, envolvendo R$ 62 milhões.
Um número absurdamente desproporcional considerando o número de municípios do Estado com obras do governo paralisadas, que dá uma medida de 1,2 obras por municípios sem terminar, contra as 11 do Executivo metropolitano, conforme levantamento do Observatório Social de Palmas.
E que se note: são contratos que aumentam a dívida pública do município e que, ao não saírem do papel, causam um prejuízo duplo: a elevação do comprometimento das receitas públicas e a possibilidade concreta de se estar despejando dinheiro no ralo (e no bolso de agentes inescrupulosos), dada a não continuidade das obras contratadas.


