A lógica da campanha da senadora Dorinha Seabra tem abusado da criatividade.
Espalha nas redes a declaração de apoio da ex-senadora Kátia Abreu (ao Portal CT) a Vicentinho Jr.
Um direito da ex-ministra exercer sua opção política sem patrulhamentos e que se fez uso eleitoral. Uma apropriação indébita.
A engenharia pretenderia (única alternativa possível) colar no deputado do PSDB a rejeição da ex-senadora para combater a rejeição da candidata do União Brasil.
A rejeição intermitente da candidata do UB seria combatida, a seu favor, numa apertada metáfora, com veneno de outro que sequer é candidato.
Na Paraná Pesquisas (2 de outubro) Dorinha tinha uma rejeição de 24,2% e Vicentinho Jr 13,4%. Kátia não aparece sequer na espontânea. Não é candidata.
Na última Atlas/Intel (3 de outubro), 40% dos eleitores viam como negativa a imagem de Dorinha e 51% de Kátia.
Vicentinho aparecia com imagem negativa para 31%. Mas 46% viam-no com imagem positiva. Dorinha tinha 42% e Kátia 24% positivos.
O problema está na resultante da equação: Kátia não é candidata a nada.
Dorinha, sim. Não há como transferir rejeição de quem não é candidato de forma transversal.
Wanderlei bem o sabe de forma direta, na dificuldade em entregar, não uma rejeição, mas sua aprovação à Senadora do UB.
No mundo real, Kátia não esteve na campanha do deputado nem no pensamento.
Passou longe até de Laurez Moreira. Tem foco em Lula que está do outro lado da rua de Flávio Bolsonaro.
Ainda assim, a arquitetura de campanha de Dorinha vê que “os Abreu” ocuparão o Palácio numa eventual eleição de Vicentinho.
Os "Abreu" - como se diz - estiveram durante o mandato de Laurez Moreira porque ele era do PSD.
Partido do senador Irajá Abreu. E apoiado por Lula a quem Kátia levou Laurez.
De igual modo, Dorinha teria ocupado (e ainda ocupa) o governo de Wanderlei.
Parece faltar repertório à campanha da Senadora.


