Não só o vírus contamina: a ignorância não fica para trás. Depois de Jair Bolsonaro tentar esconder o exame da Covid-19 com a papagaiada de privacidade, a Câmara de Palmas entrou na vibe inconstitucional para esconder por duas semanas (após a contaminação) que um vereador teria contraído corona vírus. Já seriam três casos no Legislativo municipal. Na moita.
A reação da assessoria de Comunicação da presidência da Câmara ao pedido de posicionamento feito pela jornalista Roberta Tum (que o confirmou com o próprio parlamentar), dizendo tratar-se de caso pessoal, é daqueles procedimentos que deveriam ser expostos, para serem combatidos. Produto da falta de fiscalização e a inexistência de medo a reações, a que se dá direito o Legislativo metropolitano.
Chega a ser criminoso que a Câmara de Palmas não informe aos demais vereadores, aos cerca de 400 servidores e à população a ocorrência, impulsionando-os a não fazerem os exames da Covid-19 dada a insuspeita confirmação. E levando-os, por óbvio, ao vírus. E o número de pessoas que passam pela Câmara Municipal.
Escondendo-se atrás do balcão da privacidade que não encontra respaldo nem moral nem jurídico. Não há qualquer dúvida quanto às obrigações do cidadão que exerce cargo público e da conexão entre suas funções públicas e privadas. Ainda mais exercendo cargo de representação.
E no caso da Câmara, o parlamento tem feito reuniões, os vereadores andando pra lá e pra cá. Não seria implausível que outros já tivessem sido contaminados.
Com a população com que eles tem contato direto, sendo submetidas, pela falta de informação, ao vírus parlamentar e dos servidores da Câmara. Por duas semanas consecutivas.


