A correia de transmissão da deputada Janad Valcari (PL) tem reportado nas ruas e corredores que o candidato do governo a prefeitura da Capital será determinado pelos deputados. Uma temeridade política.
A premissa sugere que Janad tivesse, com um ano de mandato no Legislativo (vindo de metade de um mandato de vereadora), adquirido o apoio da maioria parlamentar numa Casa que tem outros pré-candidatos com mais, digamos assim, serviços prestados.
Não é nada impossível, que se note, e não seria uma novidade na casa. Como dizia o saudoso amigo jornalista Salomao Wenceslau, ali “basta saber apalpar a égua, Odaiirrr!!!”, como lá no seu Gongomé.
Obviamente que comercializam ouro de tolo. Não são deputados de partidos diversos que escolherao uma candidata de um partido, o PL. Ou seja, se mercado houvesse, ele não se limitaria ao Legislativo.
E aí haja fundamento “argumentativo”. E a candidata, na disputa majoritária, teria que agregar outras legendas para tempo de propaganda e fundo eleitoral. Algo que não estaria a mao de Amélio Caryes apenas por presidir o poder.
Mas essa espécie de fake-news “do bem” segue. Em campanhas eleitorais essa estratégia sempre foi feita pelos denominados “cachorros doidos”. Pessoas contratadas pelo marketing para espalhar fake-news nos botecos, fila de banco, loterias, coletivos. Mas ainda não é campanha eleitoral.
Voce está numa fila e de uma hora para outra uma pessoa que nunca viu começa a falar mal de um político em evidencia. Ou falar bem do seu adversário. Pois e.
Em plena pré-campanha, essa estratégia e combinada com as publicações nas redes sociais. Fala-se mal do adversário nas ruas (cachorros doidos) e se expõe em bondades nas redes.
Na estratégia extemporânea de Janad há, entretanto, ingredientes políticos. Ela como que pressiona o governador Wanderlei a escolher a pré-candidata do PL.
E como uma de suas pontas de lança é nada menos que o presidente do Legislativo, ficam tensionadas as relações entre o Executivo e o outro poder.
Nada mais eloquente do movimento do pendulo entre os dois a manifestação de ontem de sindicatos rurais de 34 municípios a Wanderlei Barbosa por apoio nas feiras agropecuárias liberados por emendas parlamentares
A última manifestação do gênero ocorreu no governo Carlos Gaguim, em 2009, quando o então presidente da Federaçao da Agricultura, suplente de deputado federal Junior Marzola, levou os sindicatos rurais a apoiar a reeleição do governador do MDB que terminou sendo derrotado por Siqueira Campos.
Ainda que o presidente do Legislativo (na posse de Gaguim no governo interino) tivesse sido Junior Coimbra, também do MDB. E Gaguim houvesse distribuído as secretarias aos parlamentares. Os deputados determinavam as contratações nas pastas.
Hoje os parlamentares tem apenas as emendas. Emendas parlamentares que dependem (como todas as liberações no governo) da vontade política de Wanderlei e não do presidente da Assembleia, Amélio Cayres.
Por sinal, filiado o Repubicanos que é comandado no Estado pelo próprio governador, o detentor circunstancial da caneta que nomeia, demite, aumenta ou corta recursos.


